13/10/2026 - 8:53
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou de 3% para 3,1% a previsão de crescimento da economia mundial em 2026. Para 2027, manteve a estimativa em 3,4%, mas alertou que a capacidade dos países de resistir a novos choques está diminuindo.
As projeções constam do Panorama Econômico Mundial de outubro, intitulado “Resiliência sob pressão, escolhas urgentes”. Apesar da revisão positiva em relação a julho, a expansão prevista para este ano representa uma desaceleração frente a 2025.
Investimentos em IA ajudam a sustentar a economia
A atividade no primeiro semestre resistiu melhor do que o esperado à guerra no Oriente Médio e às tensões comerciais, afirma o FMI.
Os investimentos em inteligência artificial sustentaram a demanda e o comércio internacional, compensando parte dos efeitos do encarecimento da energia.
A adaptação do mercado energético limitou o impacto do conflito. O redirecionamento de carregamentos e o aumento da produção fora da região afetada ajudaram a preservar o abastecimento. O uso de estoques e a substituição por outras fontes de energia contribuíram para amortecer o choque.
Energia e alimentos pressionam inflação
O Fundo prevê maior pressão sobre a inflação global em 2026, principalmente pelos preços de energia e alimentos, antes de uma redução em 2027.
Os efeitos variam entre as economias. Exportadores de energia fora da área do conflito e países ligados às cadeias de produção de tecnologia encontram condições mais favoráveis.
Já as economias dependentes de energia importada e pouco integradas ao setor tecnológico enfrentam custos maiores e perda de poder de compra. Essa diferença pode ampliar desigualdades entre países e dentro deles, com riscos mais elevados para economias de baixa renda e famílias vulneráveis.
Guerra prolongada e correção em tecnologia ameaçam crescimento
Uma escalada ou prolongamento da guerra no Oriente Médio pode manter energia e alimentos mais caros, alimentar a inflação e reduzir a atividade.
Os estoques utilizados para absorver o choque estão diminuindo, deixando a economia mais exposta a novas interrupções no abastecimento.
A concentração de investimentos em inteligência artificial cria outra fonte de risco. Uma revisão das expectativas de lucro e produtividade poderia reduzir os aportes, provocar quedas nas bolsas e encarecer o financiamento.
FMI recomenda recuperar capacidade de resposta a crises
O relatório, onde são discutidas as respostas de política econômica, recomenda planos críveis para conter o endividamento público e recuperar a capacidade dos governos de enfrentar crises.
Medidas de apoio contra a alta de alimentos e energia devem ser temporárias e direcionadas aos mais vulneráveis.
Para os bancos centrais, a orientação é ajustar os juros às condições de cada economia, mantendo o controle da inflação como prioridade.
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