30/11/2015 - 19:12
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta segunda-feira a incorporação da moeda chinesa, o iuane, em sua exclusiva cesta de divisas, reconhecendo, assim, o poder crescente do país na economia mundial.
O iuane, também conhecido como renminbi, junta-se ao dólar, ao euro, ao iene e à libra esterlina na cesta de moedas que o FMI utiliza como um ativo internacional de reservas.
“Essa decisão é um marco importante na integração da economia chinesa ao sistema financeiro mundial”, disse a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.
“Também é um importante reconhecimento aos progressos feitos nos últimos anos pelas autoridades chinesas para reformar o sistema monetário e financeiro do país”, afirmou.
A decisão do Comitê Executivo do FMI, que representa os 188 países-membros da organização, impulsiona o objetivo de Pequim de colocar o iuane entre as principais moedas do mundo.
A incorporação do iuane na cesta de moedas será efetiva a partir de 1º de outubro de 2016. O FMI já determinou, contudo, que seu peso na cesta será maior do que o do iene e o da libra esterlina.
Com a moeda chinesa, a cesta do FMI seria formada com 47,7%, para o dólar; 30,9%, para o euro; 10,9%, para o iuane; 8,3%, para o iene; e 8,09%, para a libra esterlina.
Segunda maior economia do mundo, a China solicitou ao FMI no ano passado o ingresso do iuane à cesta de moedas que formam os Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês).
Entretanto, achava-se que a moeda sofria muito controle para ser incorporada. Agora, o iuane foi considerado ajustado aos critérios requeridos pelo FMI.
Os SDR são um instrumento monetário do FMI que serve, principalmente, para estimar as taxas de juros dos empréstimos concedidos pela instituição.
Os países-membros também podem utilizá-los para pagar suas dívidas com o FMI e para ajustar as reservas monetárias.
A incorporação da moeda chinesa à cesta era esperada desde o início de novembro, quando especialistas do Fundo disseram que Pequim havia dado os passos necessários para a livre circulação do iuane. Lagarde apoiou esse reconhecimento.
A diretora-gerente do FMI disse esperar que a China continue avançando em sua abertura à economia mundial.
“A continuidade e o aprofundamento desses esforços vão gerar um sistema financeiro internacional mais robusto que, por sua vez, dará apoio ao crescimento da China e da economia mundial”, alegou Lagarde.
O Banco Central da China tem caminhado no sentido de liberalização da circulação do iuane. Sua inesperada desvalorização de agosto foi bem recebida pelo FMI, que a considerou um avanço em relação ao objetivo de que a moeda flutue de acordo com as forças do mercado.
Além disso, Pequim anunciou na quarta-feira passada que um grupo de bancos centrais admitiu o iuane em seus mercados de divisas, estimulando a internacionalização dessa moeda.
Nem tudo está resolvido para a China. Suas autoridades monetárias terão de enfrentar desafios agora que o iuane conseguiu o reconhecimento do FMI como moeda de reserva.
O Banco da China é pressionado a ser tão transparente quanto seus pares, como o Federal Reserve, dos Estados Unidos, e o Banco Central Europeu.
Em entrevista coletiva, Lagarde declarou que o FMI trabalhou “muito duro” para tomar a decisão anunciada nesta segunda-feira.
Ela ressaltou que o FMI continuará vigiando todas as autoridades monetárias responsáveis pelas cinco moedas da cesta.
A integração e o peso de cada moeda nos SDR é revisada a cada cinco anos. A última vez que houve mudanças na cesta foi em 2000, quando o euro substituiu o marco alemão e o franco francês.
A admissão do iuane contou com o beneplácito dos Estados Unidos, que até pouco tempo acusavam Pequim de desvalorizar sua moeda com fins comerciais.
Em outubro, o Departamento do Tesouro americano moderou sua posição e avaliou que os esforços de Pequim em reduzir os controles sobre o iuane permaneciam “abaixo de uma adequada avaliação de médio prazo”.
A decisão do FMI pode, inclusive, irritar o Congresso dos Estados Unidos no contexto da campanha para as eleições presidenciais do ano que vem.
O Congresso americano já se recusou mais de uma vez a aprovar a reforma do FMI de 2010, que daria um maior peso na instituição a China, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.