Já faz algum tempo que está difícil circular pela principal e maior loja da Fnac no Brasil, a de Pinheiros, em São Paulo. Os quatro andares ficaram pequenos para tanta gente. Estacionar o carro então chega a ser um martírio nos finais de semana. Mas a partir da quinta-feira 11, a rede francesa eliminará esses dois incômodos com uma cajadada só. Abrirá uma nova megaloja na cidade, na Avenida Paulista. Nas palavras de Pierre Courty, diretor geral da marca no País, com 4,5 mil metros quadrados ela já nasce como ?a maior do Brasil? e ?a mais moderna do mundo?. Para começar, os clientes poderão chegar de helicóptero, pois haverá um heliponto no prédio de escritórios do qual a Fnac ocupará dois andares. Na seção de informática, haverá um quiosque em que se pode configurar um computador sob medida, escolher a forma de pagamento e esperar o equipamento ser entregue em casa. Tudo sem a intervenção de um vendedor. Em relação às outras filiais (Rio de Janeiro, Campinas e outra em São Paulo), o novo ponto terá menos prateleiras e mais espaço para ?degustação? de produtos. Serão 125 mil livros, 100 mil CDs, 6 mil DVDs, televisores de plasma, home-theaters, máquinas fotográficas, games…

Instalar-se na avenida símbolo da cidade, por onde circulam 2 milhões de pessoas diariamente, é um sonho que Courty alimenta desde que chegou ao Brasil, em 1999. ?Só agora eu encontrei uma área grande o suficiente?, explica. A nova loja, que custou R$ 20 milhões, marca uma fase mais madura da Fnac em sua trajetória além das fronteiras européias. A rede desembarcou por aqui no furacão da crise cambial e teve o seu desempenho afetado pelo sobe-e-desce da economia. Courty não revela as cifras, mas admite que, apesar da multidão que abarrota a loja de Pinheiros, a Fnac opera no vermelho. O que, até agora, não foi visto como um problema pela matriz, que topou perder dinheiro para disseminar o conceito Fnac no País. Mais que uma livraria, a Fnac cultiva a imagem de
pólo cultural onde acontecem shows, lançamento de livros e exposições de obras de arte.

Com a loja da Paulista, no entanto, as coisas mudam drasticamente. ?Agora está na hora de ganharmos dinheiro?, diz Courty. Para isso, ele sabe que terá de ir além da Paulista. O roteiro de expansão já está traçado e inclui Brasília e Curitiba, onde, até julho de 2004, o executivo pretende espetar a bandeira da companhia. Essas serão
as últimas lojas patrocinadas pela matriz, que fatura US$ 4,2 bilhões ao ano. Daí para frente, Courty terá de se virar sozinho. Mas ele confia no seu taco e não deixa por menos: quer mais três filiais em 2005 ? a segunda no Rio de Janeiro, uma em Belo Horizonte e a quarta em São Paulo.