O ponto central da Operação Aletheia, ápice da Lava Jato, é o  patrimônio supostamente oculto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da  Silva. A força-tarefa da Procuradoria da República revela que o petista,  ainda no exercício da Presidência, em 2010, adquiriu dois sítios no  município de Atibaia, interior de São Paulo, “mediante interpostas  pessoas”, pelo valor de R$ 1.539.200.

Os investigadores  apontam “fortes indícios” de que, entre 2010 e 2014, Lula recebeu pelo  menos R$ 770 mil “sem justificativa econômica lícita” do pecuarista e  amigo dele José Carlos Bumlai – preso desde 24 de novembro na Operação  Passe Livre, desdobramento crucial da Lava Jato que apontou para o  suposto envolvimento do ex-presidente no esquema de corrupção instalado  na Petrobras.

Parte de valores sob suspeita teria sido  repassada a Lula pela Odebrecht e pela OAS, empreiteiras que teriam sido  beneficiadas no esquema Petrobras.

A força-tarefa  constatou que em Atibaia dois sítios contíguos, um colocado em nome de  Jonas Suassuna e outro em nome de Fernando Bittar, foram adquiridos na  mesma data, em 29 de outubro de 2010.

A investigação aponta  para os sócios do filho mais velho de Lula e para o advogado Roberto  Teixeira, compadre do ex-presidente. “Tanto Jonas como Fernando são  sócios de Fábio Luís Lula da Silva como foram representados na compra  por Roberto Teixeira, notoriamente vinculado ao ex-presidente Lula e  responsável por minutar as escrituras e recolher as assinaturas”, afirma  a Procuradoria.

Os investigadores afirmam que mensagem  eletrônica interceptada “aponta o uso dos adquirentes nominais (dos  sítios) como interpostas pessoas”.

Os investigadores  destacam que Lula determinou que parte de sua própria mudança, “quando  do fim do exercício da presidência, fosse entregue na sede dos sítios,  para onde foi, com expressiva frequência, ao longo dos últimos anos”.

“Para  além da suspeita sobre a ocultação de propriedade em nome de terceiros,  há fortes indícios, consistentes na palavra de diversas testemunhas e  notas fiscais de compras de produtos, de que reformas e móveis no valor  de pelo menos R$ 770 mil foram pagos, sem razão econômica lícita, por  Bumlai e pelas empreiteiras Odebrecht e OAS, todos favorecidos no  esquema Petrobrás”, diz a Procuradoria.

Bumlai e a  Odebrecht se encarregaram da reforma. A OAS adquiriu móveis no valor de  aproximadamente R$ 170 mil para a cozinha do sítio Santa Bárbara,  comprada no mesmo estabelecimento em que a OAS adquiriu móveis para o  tríplex 164-A – apartamento no Condomínio Solaris, no Guarujá – o que  também indica que o imóvel pertence ao ex-presidente.

A  força-tarefa aponta mensagens encontradas no celular de Léo Pinheiro,  dono da OAS e amigo de Lula, “indicando que os beneficiários da cozinha  eram o ex-presidente e sua esposa, ex-primeira-dama (Marisa Letícia)”.

Palestras

O  Ministério Público Federal afirma que ‘ingressos e saídas’ de valores  do Instituto Lula e da LILS Palestras, ligadas ao ex-presidente Luiz  Inácio Lula da Silva, são alvos da Operação Aletheia.

Segundo  a Procuradoria da República, foram realizados “pagamentos vultosos” de  empreiteiras envolvidas no esquema Petrobras em favor da entidade e da  empresa de palestras. A “saída de recursos”, afirma a força-tarefa da  Operação Lava Jato, beneficiou pessoas vinculadas ao PT e parentes  próximos ao petista.

“Investigam-se pagamentos vultosos  feitos por construtoras beneficiadas no esquema Petrobras em favor do  Instituto Lula e da LILS Palestras, em razão de suspeitas levantadas  pelos ingressos e saídas dos valores”, afirma a Procuradoria.

Segundo  a força-tarefa da Lava Jato, a maior parte do dinheiro que entrou no  Instituto Lula e na LILS Palestras, entre 2011 a 2014, saiu de empresas  do esquema Petrobras: Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez,  Queiroz Galvão e UTC.

Os investigadores informaram que no  instituto, as empreiteiras foram responsáveis pelo ingresso de R$ 20,7  milhões de um total de R$ 35 milhões contabilizados. Na LILS, foram R$  10 milhões.

“Quanto às saídas de recursos, além de  beneficiarem pessoas vinculadas ao Partido dos Trabalhadores, cumprindo  recordar que o esquema da Petrobras era partidário, elas beneficiaram  parentes próximos do ex-presidente, por meio de pagamentos a empresas de  que são sócios”, afirmam os procuradores da República da Lava Jato.