Os fundos de ações estarão no olho do furacão em 2002. Primeiro, porque o governo anunciou que irá dobrar o imposto de renda que incide sobre aplicações em renda variável. A alíquota, que era de 10% sobre os ganhos, deverá passar para 20%. Se a Receita Federal não voltar atrás, cedendo aos protestos da comunidade financeira, haverá desde o início um bom motivo para o investidor pensar duas vezes antes de apostar em ações.

Para quem se arrisca, é bom saber que, além de oscilar sob os efeitos da interminável crise argentina, os papéis devem balançar ao sabor das pesquisas para as eleições presidenciais no Brasil. Por isso, só deve embarcar nesta aventura quem tiver estômago e disposição para um vôo com muita turbulência e o risco de uma aterrissagem forçada. Os gestores recomendam que o investidor só compre o bilhete se puder deixar o dinheiro aplicado por pelo menos 12 meses. Em 2002, as pesquisas eleitorais serão indicadores econômicos tão importantes quanto o Ibovespa ou o índice Dow Jones. Roseli Machado, diretora da Fator Administração de Recursos, acha que se o candidato apoiado pelo governo demonstrar que vai vencer o pleito desde o início, o Ibovespa poderá subir entre 20% e 25% em 2002. ?A economia brasileira está se recuperando e há sinais de que o mesmo ocorrerá com a americana. Uma eleição definida a favor do governo seria o tempero que falta para que a bolsa volte a crescer?, acredita. ?Agora, se a oposição demonstrar que tem condições de vencer, o investidor pode esperar uma queda do mercado acionário.?

Um dos segmentos com maior potencial para dar lucros caso a economia volte a crescer será o de ações de companhias de varejo, segundo Roseli. O setor agrupa papéis de empresas como Pão de Açúcar e Lojas Americanas. Outra oportunidade é o setor de companhias de alimentos, como Sadia e Perdigão. Porém, o investidor não deve colocar todas suas fichas em fundos setoriais, como os que agrupam ações do setor de telecomunicações ou energia. ?As pessoas precisarão diluir o risco da carteira, aplicando em áreas distintas?, diz.

A escolha do administrador também é importante. ?Não adianta escolher um gestor com visão de curto prazo quando você quer deixar o dinheiro investido por cinco anos?, ressalta Claudio Honigman, diretor da corretora Ágora Senior. Honigman está otimista com o mercado de ações. ?Acho que o Ibovespa poderá subir 20% em 2002.? Ele acredita que, mesmo que a situação se agrave na Argentina, o pior já passou. ?A economia americana deve se recuperar entre o primeiro e o segundo semestre, assim como a brasileira. O único fator de instabilidade são as eleições presidenciais?, diz. Na opinião de Honigman, a carteira de investimentos ideal está aplicada em 40% em ações, 30% em renda fixa e 30% em fundos imobiliários, uma aplicação de perfil conservador. Ele prevê que os setores mais promissores em bolsa serão telecomunicações e bancos. ?Os bancos vão continuar ganhando como sempre?, diz. O menos promissor será o setor elétrico, por conta dos reflexos do racionamento de energia.