01/03/2006 - 7:00
Dez minutos de conversa com Everaldo Ramos e Alexandre Jordão são suficientes para saber que o Tiranossauro Rex não é o maior predador que já existiu. Que os Pterossauros viviam no que é hoje a Chapada do Araripe (Ceará) e foram os primeiros vertebrados que aprenderam a voar. Que havia até um tigre dente de sabre que perambulava pelo sudeste brasileiro. Ramos
ou Jordão não são paleontólogos ou dinomaníacos ? são homens de negócios e aprenderam a transformar o interesse por fósseis em dinheiro. ?De tanto falar do assunto, acabamos aprendendo?, brinca Ramos. ?Conseguimos aliar cultura e negócios. Transformamos um evento de alto nível num empreendimento lucrativo?, endossa Jordão. Estamos na Oca, o pavilhão de exposições no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que neste momento abriga uma das maiores mostras já vistas no Brasil: a ?Dinos na Oca?. Foram 40 toneladas de fósseis, um vôo 767 fretado só para trazer peças de Chicago e sete carretas para o transporte de ossos e demais relíquias, compondo um acervo de 400 peças.
?Conseguimos aliar cultura e negócios. Transformamos um evento de alto nível num empreendimento lucrativo?, endossa Jordão. Estamos na Oca, o pavilhão de exposições no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que neste momento abriga uma das maiores mostras já vistas no Brasil: a ?Dinos na Oca?. Foram 40 toneladas de fósseis, um vôo 767 fretado só para trazer peças de Chicago e sete carretas para o transporte de ossos e demais relíquias, compondo um acervo de 400 peças.
Por trás de tudo isso estão Ramos e Jordão, dois administradores de formação, mas promotores de evento por vocação. Eles se conheceram na área de publicidade da rádio Transamérica. Em setembro de 2003, bateram à porta da agência Grey com uma proposta de aproveitar a lacuna deixada por empresas como a Brazil Connects (do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, processado por fraude, formação de quadrilha e gestão temerária do Banco Santos). Nasceu então, a Grey Social Link, tabelinha entre a agência e os empresários. O primeiro fruto dessa aliança foi a mostra Tropicália, lançada no ano passado em Chicago. Depois veio a Dinos. ?A exposição consumiu R$ 7 milhões em investimentos e oito meses de planejamento para reunir o acervo mais completo do mundo?, diz Ramos.
O evento contou com o patrocínio de marcas como Kibon, Osram e AOC, fabricante chinesa de monitores. A média de público até agora (ela vai até o dia 30 de abril) é de 4 mil pessoas/dia. A bilheteria rendará, segundo os organizadores, algo como R$ 11 milhões. ?Essa exposição não caiu naquele fenômeno de esfriamento, em que os primeiros dias são lotados e depois o público começa a diminuir?, conta Emílio Kalil, ex- diretor do Teatro Municipal de São Paulo e sócio-diretor do Gabinete Cultura, empresa parceira da Grey Social Link no projeto Dinos. Kalil, aliás, prestou serviços para a Brazil Connects até 2004. Ele assina algumas das maiores exposições que já passaram pelo País, como Picasso ou Guerreiros de Xian. ?Cultura dá retorno neste País. Basta fazer um trabalho sério e nenhuma mostra ficará às moscas?, afirma Kalil. Segundo Jordão, as 500 maiores companhias do Brasil investiram R$ 2 bilhões em projetos culturais e sociais em 2004. Se os patrocinadores estão felizes, os lojistas também não têm do que reclamar. A Brand Supply, responsável por todo o licenciamento de artigos inspirados nos dinossauros, faturou, em apenas um fim de semana, R$ 60 mil. A vedete foi um dinossauro movido por controle remoto. E olha que a ?fera? custava R$ 200!
Agora, a dupla quer repetir a dose com outras exposições de peso. Em setembro, Yoko Ono, a viúva do beatle John Lennon, vem mostrar no Brasil seus dotes de artista plástica. Investimento: R$ 2 milhões. Em 2007, será a vez da Tropicália desembarcar por aqui, após uma turnê em Londres, Lisboa e Buenos Aires. O orçamento é de R$ 5 milhões. ?Escolhemos 2007 para a Tropicália no Brasil porque é exatamente o ano de comemoração do 40º aniversário do movimento?, explica Jordão. Mas em 2007, a grande tacada da dupla Ramos e Jordão será mesmo a exposição sobre a Índia. ?Só de jóias antigas da família real virão 3 mil peças?, conta Ramos. A estimativa é que a mostra da Índia custe aos organizadores entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões. Em 2006, estima Jordão, a Grey Social Link deve faturar algo como R$ 25 milhões, número que deve se manter em 2007. ?A idéia é trazermos, a cada ano, pelo menos uma grande exposição para o Brasil?, conta Ramos.