06/12/2013 - 9:13
Nesta semana líderes de países membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) estão reunidos em Bali, na Indonésia, para discutir um acordo multilateral que pode liberalizar o comércio entre os 159 países-membro da instituição. O encontro, que já está em sua 9ª edição, tem como objetivo chegar a um consenso nas regras que regem o comércio internacional. Dadas as negociações mal-sucedidas que acontecem há 12 anos na Rodada Doha, o que está em jogo agora não é apenas um acordo global, mas o próprio futuro da OMC, que tem perdido credibilidade ao longo dos anos.
Para o ex-embaixador e membro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Marcos Azambuja, há poucas chances de a reunião dar algum resultado. “O que está em jogo é a ordem internacional e a capacidade de os países fazerem regras comuns a todos”, afirma. À frente das negociações, o brasileiro Roberto Azevêdo, que assumiu a diretoria-geral da OMC em maio deste ano, tenta intermediar interesses ? inclusive os do Brasil. ?O impasse na OMC não é uma briga entre namorados, é algo que envolve interesses fundamentais?, diz Azambuja.

IMPASSE: Roberto Azevêdo tenta convencer Índia a entrar em acordo com países da OMC
A política agrícola continua sendo o grande ponto de discórdia entre os países. Os mais pobres defendem a segurança alimentar e aumento do prazo de concessão de subsídios agrícolas. No centro dessa discussão está a Índia, que insiste em manter subsídios alimentares em seu país para garantir o abastecimento interno. Isso emperra um avanço nas negociações da OMC, que considera a prática indiana uma forma de dumpimg. Um acordo em Bali só é possível se todos os países concordarem. Já os países desenvolvidos querem uma política mais liberal, com maior importação de bens agrícolas e produtos industrializados.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que acompanha as negociações em Bali, defende uma maior flexibilidade da Índia. ?A demanda é legítima, mas não pode ser feita às custas de um acordo em Bali e do comércio internacional de produtos agrícolas?, diz Carlos Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI. Para Abijaodi, o acordo de facilitação de comércio é essencial para a indústria brasileira. ?Ele pode reduzir a burocracia do comércio exterior, diminuir os custos de transações mundiais em até 14% e aumentar a transparência e as exportações nacionais”, afirma.
Na avaliação do ex-embaixador, que participou de algumas rodadas de negociações enquanto estava no Itamaraty, um fracasso na reunião pode levar o comércio internacional a uma situação de paralisia. “Os países continuarão fazendo negócio, mas em situação mais turbulenta”, diz Azambuja. O não avanço nessas negociações seria uma vitória do bilateralismo, em que países fariam acordos entre si ou regionais. Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha e alguns asiáticos como Cingapura e Coreia estão neste grupo. O Brasil é a favor da negociação multilateral, junto com China, Índia, Paquistão e Austrália.
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