29/09/2015 - 20:17
Uma investigação penal por crimes de guerra foi aberta na França contra o regime sírio de Bashar al-Assad por fatos ocorridos entre 2011 e 2013 – informaram diferentes fontes à AFP nesta terça-feira.
A Procuradoria de Paris abriu as diligências em 15 de setembro, a pedido do Ministério das Relações Exteriores, indicaram as fontes consultadas pela AFP.
A investigação se baseia em particular no testemunho de César, um ex-fotógrafo da Polícia Militar síria, que fugiu de seu país em julho de 2013 com 55.000 imagens chocantes de corpos torturados.
O Ministério francês das Relações Exteriores expôs os fatos para a Procuradoria de Paris, com base no artigo 40 do Código de Procedimento Penal francês. Essa legislação obriga qualquer autoridade pública a transmitir à Justiça quaisquer informações que tenha, se tiver conhecimento de algum crime, qualquer que seja – explicou a fonte.
Os investigadores do Escritório Central de Luta contra os Crimes contra a Humanidade, Genocídios e Crimes de Guerra (OCLCHGCG) estão encarregados de levar o caso adiante.
Os investigadores trabalharam, principalmente, com base nas milhares de fogos acumuladas durante dois anos pela testemunha chamada de “César”. Trata-se de um fotógrafo do regime sírio, que disse ter trabalhado em uma unidade de documentação da Polícia Militar síria.
O anúncio dessa investigação acontece no momento em que a crise síria domina a pauta da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Nesta terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, insistiu na saída do presidente sírio, Bashar al-Assad, para derrotar os jihadistas do Estado Islâmico. Já a Rússia defende a manutenção de Al-Assad no poder.
Em pronunciamento na ONU, na segunda-feira, o presidente francês, François Hollande, foi enfático, ao justificar a exclusão de Assad em qualquer solução política para o conflito: “não se pode fazer as vítimas e o algoz trabalharem juntos”.