A França abrirá seus arquivos sobre as investigações judiciais a respeito da guerra da Argélia (1954-1962) “15 anos antes do previsto”, afirmou nesta sexta-feira a ministra da Cultura, Roselyne Bachelot.

“Abro 15 anos do previsto os arquivos sobre as investigações judiciais, da polícia, sobre a guerra da Argélia”, anunciou a ministra ao canal BFMTV.

As relações diplomáticas entre França e Argélia, complicadas desde a traumática independência da colônia em 1962, voltaram a sofrer uma crise nos últimos meses.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, visitou Argel há dois dias.

“É uma questão problemática, irritante, na qual estão atuando falsificadores da História. Quero que possamos examiná-la de frente. Não se constrói um relato nacional com base em uma mentira”, declarou a ministra.

“É a falsificação que provoca (…) todos os problemas, todos os ódios. A partir do momento em que todos os fatos são colocados sobre a mesa, quando são reconhecidos, analisados, é a partir deste momento que se pode construir outra história, uma reconciliação”, enfatizou.

“Temos que reconstruir laços com a Argélia, que somente poderão ser reconstruídos a partir da verdade”, disse a ministra da Cultura.

A Argélia critica a França há décadas por considerar que o país não faz o suficiente para reconhecer o uso da tortura por parte do exército durante a guerra.

O governo francês deseja que a Argélia reconheça os atentados e atos de violência executados tanto no que era a colônia como no território metropolitano, pelos grupos que trabalhavam pela independência.

Reconhecer os atos de tortura “é do interesse” da França, explicou Bachelot.

O presidente Emmanuel Macron reconheceu em 13 de setembro de 2018 que o desaparecimento do matemático e militante comunista Maurice Audin, em 1957 em Argel, foi executado por forças francesas. Macron prometeu à família acesso aos arquivos.

Em 9 de março de 2021 o presidente também anunciou que simplificaria o procedimento para liberar os arquivos de mais de 50 anos.