Existe um risco cada vez maior de que a Líbia se torne um refúgio para os combatentes do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), adverte o ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, em uma entrevista que será publicada no domingo.

“Estamos vendo a chegada de jihadistas estrangeiros à região de Sirte (norte da Líbia) e apesar de nossas operações na Síria e no Iraque estarem reduzindo o alcance territorial do Daesh (acrônimo árabe do EI), amanhã poderão ser mais numerosos”, diz Jean-Yves Le Drian à revista Jeune Afrique.

O ministro descarta uma intervenção militar na Líbia, mas estima ser preciso fomentar a unidade no país para se enfrentar tal ameaça.

“É um risco maior e por esta razão necessitamos imperativamente que haja um entendimento entre os líbios”, insistiu sobre o diálogo entre clãs adversários para tentar acabar com a guerra civil no país.

Le Drian manifesta ainda sua preocupação com o risco da ligação entre o EI e os jihadistas do Boko Haram na Nigéria. “Há um risco maior que se forje uma relação com o Boko Haram”.

Para deter a expansão do EI, os parlamentos de Trípoli e Tobrouk, que disputam o poder na Líbia, devem chegar a um acordo sobre a formação de um governo único reconhecido por todos.

Se somarmos as forças de Trípoli às milícias de Tobrouk, o Daesh não terá peso”, avalia o ministro, que pede à Argélia e Egito, dois atores regionais, que se unam para pressionar os beligerantes.