08/10/2008 - 7:00
Você tem capital, sabe o ramo em que pretende atuar e acredita ter um bom mercado a explorar. Mas uma dúvida o atormenta: é melhor investir na construção de uma marca própria ou na aquisição de uma franquia de uma grife já estabelecida? Não há resposta simples para essa questão, até porque a solução se encontra dentro de você, do seu objetivo e estilo de administrar. Antes de decidir, é preciso analisar as características de cada modelo, orienta Wlamir Bello, consultor de marketing do Sebrae-SP. Cada caminho tem suas vantagens e seus ônus. É preciso conhecê-los e saber com quais deles o seu lado empreendedor se sentirá mais à vontade.
?Numa franquia, a pessoa não começa do zero, seu formato já foi testado e aprovado no mercado, é um nome que atrai demanda natural. O independente, por sua vez, ainda construirá uma marca, o que pode levar anos?, diz Bello. Geralmente, o interessado em uma franquia já quer entrar num certo patamar de mercado e não começar do zero. Essa linha de conforto, entretanto, tem um preço. “Além do custo Brasil de abertura de empresa, o franqueado paga uma taxa inicial à rede e royalties sobre o estoque comprado ou o faturamento, sem falar na taxa mensal de mídia”, diz o consultor do Sebrae. Ricardo Camargo, diretor- executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), observa que ?o conjunto da verba de publicidade dos franqueados permite gastos maiores nessa área, o que beneficia os mesmos.?
Não é difícil encontrar defensores de cada um dos modelos. Francisco Ribeiro, gerente de franchising da Dona Florinda, marca de moda jovem cearense, acredita que o sistema de estender sua marca a novos empresários é excelente para as duas partes. ?O franqueador amplia seus negócios sem investir em pontos-de-venda e o franqueado adquire um produto com visibilidade e público específico”, diz. A empresa, sediada em Pacajus, a 50 quilômetros de Fortaleza, gasta atualmente 15% do seu faturamento na expansão de franquias. São cinco lojas próprias (quatro em Fortaleza e uma em Manaus) e cinco franqueadas (quatro no Nordeste e uma no Rio de Janeiro). “Nossa estrutura é flexível: se surge um problema, ouvimos o franqueado e nos dispomos a rever os planos. Até porque não se ganha dinheiro abrindo, mas mantendo a franquia”, afirma Ribeiro.
Quem opta por uma franquia não começa do zero e investe numa marca já testada. Mas o conforto tem preço: taxas, royalties e menos liberdade na gestão
O empresário João Carlos Paraíso, dono da rede Costume, empresa no segmento de moda jovem, preferiu seguir um caminho próprio e hoje possui dez lojas, concentradas na capital e no interior de São Paulo. ?Cheguei a pensar nisso, mas concluí que era melhor crescer de forma independente?, lembra ele, que pretende inaugurar mais três lojas em novos shoppings da capital. O ritmo de expansão foi mais lento ? a empresa nasceu há 23 anos ?, mas o dono da marca sentiu-se mais seguro em relação aos objetivos e pôde trabalhar sem a pressão de ter de pagar royalties a um franqueador ou a necessidade de gerir uma rede de franqueados. “Uma única franquia em Brasília, por exemplo, não dá sustentação ao negócio. Por outro lado, invisto muito em atendimento. Não sei se franqueados investiriam da mesma forma.?
Foi exatamente o que fez José Guida, ex-gerente de vendas e franqueado há oito anos da Sapataria do Futuro. ?Achei interessante o conceito da rede, com lojas modernas e em shopping centers?, diz. Enquanto a documentação de abertura não saía, ele passava os sábados numa loja do franqueador e acompanhava o funcionamento do negócio, que consiste no conserto de roupas e sapatos. Mas não é só. Duas vezes por semana, depois do expediente, ele freqüentava uma escola de corte e costura na Vila Mariana. “Chegava de terno e gravata e era o único homem da classe. Já que ia abrir uma franquia de consertos, tinha que entender do assunto”, conta Guida. Na Sapataria do Futuro, o investimento para montar uma loja varia de R$ 50 mil a R$ 100 mil, dependendo do tamanho do estabelecimento, e inclui ponto, aquisição de equipamentos e taxa de franquia, entre outros. Os royalties são de 5% sobre o faturamento, mais 2% de taxa de mídia.