Em um ano, o papa Francisco marcou presença com algumas frases e gestos que já se tornaram célebres, criticando a mundanidade e mostrando sua proximidade com o homem comum. – Em 16 de março de 2013, ele diz para a imprensa: “Como eu queria uma Igreja pobre, feita para os pobres!”. – Em 17 de março, durante seu primeiro Angelus, ele convida ao “perdão” e à “misericórdia”: “Um pouco de misericórdia deixa o mundo menos frio e mais justo”. “Nós não devemos ter medo da bondade, nem da ternura”. – Em 28 de março, ele pede aos padres que se dirijam às periferias, onde há mais sofrimento, onde o sangue é derramado”. Os padres “não devem ser colecionadores de antiguidades”, nem “funcionários públicos”. Quando aos bispos, não são nem “apologistas, nem cruzados”, “eles devem se impregnar do odor de seu rebanho”. – Em 17 de abril de 2013, durante missa em Santa Marta: a Igreja “não deve ser uma babá que nina uma criança para que ela durma”. – Em 8 de maio de 2013, ele convida milhares de religiosas a uma “castidade fecunda (…) A pessoa consagrada é uma mãe, deve ser mãe e não uma solteirona”. – Em 8 de julho de 2013, durante viagem a Lampedusa, ele chama atenção para o drama dos migrantes que atravessam o Mediterrâneo: “a cultura do bem-estar nos torna insensíveis aos gritos do próximo” e “culmina numa globalização da indiferença”. – Em 29 de julho, no avião que o levava de volta à Itália após sua viagem ao Brasil, ele diz para a jornalista brasileira Ilze Scamparini: “se uma pessoa é gay e procura Jesus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” – Em 4 de outubro de 2013, ele denuncia o “perigo da mundanidade”: ” o cristianismo sem a cruz, sem Jesus, sem despojamento é como uma confeitaria, um lindo bolo”. – Em 26 de novembro de 2013, ele denuncia a especulação financeira: “uma nova tirania invisível impõe leis de uma maneira unilateral e implacável”. O Papa marca presença também por seu gosto pelas multidões, seus gestos espontâneos com relação aos enfermos, aos deficientes que são carregados para que ele os beije. O padre deve saber “levar o carinho de Deus”, diz Francisco, que não hesita em brincar, colocar uma criança no papamóvel, tirar o solidéu branco para colocar um novo, ofertado por um fiel, vestir uma camisa de futebol ou compartilhar um chimarrão. Ele alterna gestos simples e gestos fortes como quando lavou, em 29 de março, os pés de 12 detentos – dentre os quais dois muçulmanos – ou quando ele liderou, em 7 de setembro, um dia de jejum pela paz na Síria. O Santo Padre telefona e escreve de punho próprio para dezenas de pessoas. A ponto até de, às vezes, pegar seus interlocutores desprevenidos: como as religiosas de um convento espanhol que receberam uma ligação sua no ano novo, confusas por não terem atendido o telefonema. jlv-fka/phv/mm