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DE OLHO NO MERCADO: Will, Monzani e o executivo Mello (ao centro) pretendem investir R$ 36 milhões em 2008

O mundo da moda deixou de ser exclusividade de top models e estilistas com pose de artistas. Uma dupla de homens de negócios desconhecidos até mesmo entre seus pares começou a disputar espaço com alguns dos nomes mais estrelados das passarelas. Como um furacão, Conrado Will e Enzo Monzani arremataram grifes do porte da Clube Chocolate, Fause Haten, Cúmplice, além de duas marcas de Alexandre Herchcovitch. Antes, já haviam adquirido a Zoomp e a Zapping. De quebra, também colocaram debaixo de suas asas uma fabricante de celulares quase falida, a BenQ, e uma tradicional empresa de recrutamento de executivos, a Tasa. E ainda pretendem investir R$ 36 milhões na abertura de novas lojas e no marketing das grifes adquiridas. Mais: ambos estão de olho em companhias de engenharia ligadas ao setor de óleo e gás e no segmento de embalagens.

A desenvoltura com que desembolsaram milhões de reais nessas aquisições chamou a atenção do mercado e lançou perguntas que não querem calar. Afinal, quem são Will e Monzani? De onde vem tanto dinheiro? Quais são seus planos para essa coleção de marcas? As questões são muitas, mas as respostas nem sempre parecem completas. Com passagens pela Accenture, uma das maiores empresas de consultoria do mundo, e pelo Banco Pátria, Monzani e Will se uniram para criar a HLDC, a holding que abriga todas essas empresas. Os recursos financeiros são próprios. Pelo menos é o que afirma Monzani, um sujeito de 44 anos, fala mansa e um jeito desconfiado (e evasivo) de falar dos negócios ? Will, de 33 anos, parece diferente, revelando mais agitação e bom humor. A discrição da dupla cria um certo ar de mistério em torno de suas atividades. Eles não revelam o valor do investimento realizado até agora. Também não explicam a origem dos ?recursos próprios? citados por Monzani. Afirmam apenas que não buscaram financiamento no mercado. ?Até agora, não precisamos?, enfatiza Monzani. É verdade que existem diferentes formas de adquirir um ativo sem ter dinheiro. ?Uma delas é receber uma parte do capital em troca de uma expertise gerencial, por exemplo. Outra é comprar uma empresa endividada por um valor bem menor?, explica Guilherme Cunha, um executivo do mercado financeiro e amigo de Conrado Will. Foi justamente o endividamento da Zoomp que seduziu a dupla em 2006. ?Era uma empresa que precisava ser reestruturada e valeria mais no futuro?, afirma Monzani.

A sociedade de Monzani e Will é o típico caso de estilos diferentes mas complementares. No Banco Pátria, Monzani acompanhava o desempenho das empresas e analisava potenciais investimentos. Will participou do processo de diversas aquisições. ?Por causa dessas experiências, os dois se complementam. Eles se concentram em sua especialidade e, para cuidar da moda, chamaram os melhores nomes do mercado atual?, analisa Felipe Camargo, presidente da Casa Cor, que trabalhou com eles no mercado financeiro.

No comando da I?M, a holding criada por eles para abrigar as grifes de moda, estão Vicente Mello, ex- Zoomp, Jacimar Silva, ex-Rosa Chá, e Márcia Matsuno, ex-SPFW.

O mesmo raciocínio valeu para a aquisição da filial brasileira da BenQ, fabricante de celulares de Taiwan que praticamente foi à bancarrota. Fontes do mercado apontam que as dívidas da subsidiária brasileira giram em torno de R$ 300 milhões e estão sendo negociadas a longo prazo pelo Morgan Stanley. De acordo com o presidente da companhia, Ricardo Grau, a BenQ fatura R$ 8 milhões por mês e pretende atingir a meta de R$ 200 milhões até o fim do ano. Para isso, lançará nova linha de aparelhos sob a marca YVY. O grupo também negocia a venda de 30% do capital da companhia para um fundo de investimento. Monzani garante que outras aquisições e talvez vendas de algumas companhias de seu portfólio podem estar a caminho. ?Se houver empatia com o atual dono e os valores forem equivalentes aos nossos, estaremos sempre abertos às negociações?, admite ele.