Presidente da Petrobras de 2005 a 2012, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e em parte do primeiro mandato de Dilma Rousseff, José Sérgio Gabrielli publicou artigo no qual questiona as chances do atual presidente da companhia, Aldemir Bendine, ter sucesso em seu plano de venda de ativos. No texto, publicado no blog “Diálogo Petroleiro” e replicado por Gabrielli em sua página no Facebook, ele questiona: como é que a Petrobras vai conseguir vender ativos de US$ 15 bilhões até 2016 e mais 32 bilhões até 2019?”.

O economista, que hoje atua como professor na Universidade Federal da Bahia (UFBA), argumenta que, assim como a Petrobras, outras petroleiras, potenciais interessadas nos bens da estatal, estão com os seus caixas esvaziados, por causa do baixo preço do petróleo, e também colocaram seus bens à venda. Para vencer a concorrência, acrescenta, a tendência é que a Petrobras deprecie o valor do seu patrimônio. “Nessas circunstâncias, é muito difícil implementar um plano de grande volume de desinvestimento, sem depreciar o valor dos ativos da empresa que vende”, afirmou.

Gabrielli liderou o projeto de internacionalização da empresa e expansão das atividades por todos os elos da cadeia produtiva. A estratégia era inversa à adotada hoje pelo atual presidente, Aldemir Bendine, que pretende concentrar a atuação da companhia na área de exploração e produção de petróleo e gás natural.

A diretoria da Petrobras está empenhada em encontrar compradores. No mês passado, dias após divulgar o balanço financeiro do terceiro trimestre, um grupo de executivos da empresa, liderado pelo diretor Financeiro, Ivan Monteiro, viajou à Europa atrás de investidores. Em coletiva de imprensa para apresentar o resultado até setembro, Monteiro garantiu que, apesar das dificuldades da indústria, são muitos os interessados na Petrobras.

Para quem depende de novos investidores, como a Petrobras, o cenário piorou por conta da crescente campanha contrária ao negócio de combustíveis fósseis, diz ele. “Segundo a consultoria Arabella, que acompanha este movimento, houve um grande aumento no número e tamanho das instituições que decidiram se afastar dos investimentos em combustíveis fósseis, passando de 181 para 436 instituições, com ativos que variaram de US$ 50 bilhões a US$ 2,6 trilhões de ativos entre setembro de 2014 e setembro de 2015”, argumentou.

Ele citou o caso de um fundo de pensão dos servidores municipais da cidade de Oslo, na Noruega, com mais de US$ 9 bilhões em seu portfólio, que, sob pressão do Partido Verde, decidiu não investir mais em petroleiras. Apenas empresas que apostam na recuperação do preço do petróleo no curto prazo e que pretendem ganhar com a desvalorização das ações das petroleiras e também da depreciação dos seus ativos devem demonstrar interesse no patrimônio da Petrobras, segundo Gabrielli.