11/11/2009 - 8:00

Super Mario Bros e Zelda, dois dos mais conhecidos personagens do mundo dos videogames, ajudaram a transformar a japonesa Nintendo em uma potência global. Também fizeram com que o magnata nipônico Hiroshi Yamaguchi, que possui uma fatia de 10% das ações da companhia, se tornasse o homem mais rico do Japão, com uma fortuna de US$ 7,8 bilhões, de acordo com a revista americana Forbes. O sucesso é resultado direto do excelente desempenho do console Wii. Lançado em novembro de 2006, o game ajudou a transformar a companhia na líder absoluta do setor, desbancando a Sony e a Microsoft. O problema é que a extrema dependência do Wii se tornou uma espécie de armadilha para a Nintendo.
Isso ficou evidente no balanço que cobre o período de abrilsetembro. Segundo relatório divulgado pela empresa, suas vendas caíram 34,5%, para US$ 6,1 bilhões, em relação a igual período de 2008. Por sua vez, o lucro desabou para US$ 772,1 milhões, metade do apurado no ano passado. Boa parte do tombo sofrido pela Nintendo está ligado à má performance do Wii. De abril a setembro, foram vendidos 5,75 milhões deste modelo de console, número 43% inferior ao computado entre abril e setembro de 2008. O fraco resultado teve impacto também na cotação dos papéis da fabricante de games, que já recuou 22% na Bolsa de Valores de Tóquio. Satoru Iwata, presidente da Nintendo Company, aposta em dias melhores. “Os consumidores se retraíram, mas acredito que poderemos recuperar o terreno neste trimestre”, disse ele à revista americana Business Week.
O executivo creditou os problemas à valorização da moeda japonesa, o ien, e aos efeitos da crise econômica global.

Não deixa de ser verdade. O consumo nos principais mercados, Estados Unidos e Japão, caíram. E o ien mais forte encarece os produtos da Nintendo. Contudo, analistas são unânimes em dizer que esses fatores não contam a história toda. Enquanto as vendas do Wii caíram 43%, o mercado de games dos Estados Unidos recuou apenas 14% entre janeiro e setembro. O que fica evidente é que Iwata vem se mostrando incapaz de seguir a trilha de seu antecessor, Yamaguchi, que conseguiu colocar a companhia na vanguarda, garantindolhe o título de a “Apple do segmento de games”. Tido como revolucionário por suas interfaces amigáveis e os acessórios sensíveis aos movimentos do corpo dos jogadores, o Wii conquistou uma legião de fãs pelo mundo afora.
Desbancou potências como o XBox 360, da Microsoft, e o PlayStation 3, da Sony, e se tornou o game mais vendido do mundo. Sem condições técnicas de lançar novos jogos na velocidade exigida pela demanda, a Nintendo acabou sendo ultrapassada pela concorrência. Nem mesmo a redução do preço, em 20% em agosto, conseguiu evitar o pior. Em setembro último, o PlayStation 3 superou seu compatriota e se tornou o console mais vendido dos Estados Unidos, segundo a consultoria NPD Group.

Os perigos no caminho de Super Mario Bros e Zelda tendem a se tornar cada vez maiores. Especula-se que tanto Sony quanto Microsoft estariam dando os retoques finais em projetos de consoles com dispositivos sensíveis ao movimento do jogador. Além disso, o crescimento de games para dispositivos móveis como o iPod Touche, da Apple, que podem ser baixados por alguns dólares ou até de graça, se constitui no principal desafio para as três gigantes do setor. Uma das saídas para garantir a sobrevida da versão atual do Wii é dotá-lo de atributos capazes de ler vídeos no formato Blu-ray, o que permitiria imagens mais realistas e com maior definição. O presidente da Nintendo minimiza os problemas vividos pela companhia.
Sem um diversificado cronograma de lançamentos para anunciar, ele confia na mística do Super Mario Bros para vencer mais esta batalha. Resta saber se haverá tempo hábil antes de surgir a mensagem de game over para o Wii.