Estagiário, programador, analista de sistemas, gerente, diretor e dono. Tudo em apenas cinco anos. Com essa meteórica trajetória, Laércio Cosentino criou a maior empresa de software do Brasil, a Microsiga, que vai fechar o ano com um faturamento de R$ 152 milhões. Não por acaso, deve ser a primeira empresa a colocar suas ações no Novo Mercado, a Nasdaq brasileira, que a Bolsa de Valores de São Paulo anuncia para o ano que vem. Para 2002 já está prevista a abertura do capital da Microsiga na Bolsa de Nova York. O rendoso negócio da Microsiga é a criação de programas de gerenciamento empresarial. Com 23 anos, Cosentino convenceu o seu patrão, Ernesto Haberkon, a fundar a nova empresa em 1983. Haberkon já era um pioneiro. Em 1969 tinha criado a Siga (Sistema Integrado de Gerência Automática), uma das primeiras empresas a instalar computadores no País ? na época verdadeiras geringonças, os tais mainframes. Enquanto trabalhava na Siga, Cosentino se formava em engenharia e economia na Universidade de São Paulo. Assim que se formou, em 1983, virou patrão.

Hoje, aos 40 anos, Cosentino é o presidente, e Haberkon, o vice. Juntos, eles detêm 67,5% do capital da Microsiga, avaliada em cerca de US$ 100 milhões. Outros 25% foram vendidos, no ano passado, para o fundo de investimento norte-americano Advent International. Os 2 mil funcionários na matriz paulista e nas 51 franquias no Brasil e nos escritórios do Chile, Argentina, Colômbia, México, Paraguai, Uruguai, Porto Rico e Venezuela, ficam com 5% das ações. Os 2,5% restantes pertencem aos outros diretores. Para os investidores, a empresa exibe números animadores. Em 1999 a matriz faturou R$ 60,5 milhões e o grupo R$ 100,8 milhões. Em 2000 o faturamento pulou para R$ 97 milhões e R$ 152 milhões. E, em 2001, a perspectiva de Cosentino é que o movimento na caixa registradora chegará a R$ 150 milhões e R$ 232 milhões, respectivamente. Para dar saltos tão espetaculares, a Microsiga conta com 4.500 clientes, entre eles a Kibon, Shell, DaimlerChrysler, Scania e Kodak.

O novo xodó da Microsiga é o Mobile Enterprise, um palm top acoplado a um celular que permite ao usuário entrar na rede de computadores da sua empresa. ?Vendemos idéias, inteligência, tecnologia, serviços e soluções?, afirma Cosentino, que escolheu como sede da empresa o bairro de Santana, na zona norte de São Paulo. Do lado oposto, portanto, da região da Vila Olímpia, na zona sul, que abriga a maioria das empresas da nova tecnologia. ?Qualidade de vida e tranqüilidade são fundamentais?, fala o patrão que, só este ano, contratou 250 novos funcionários, com salário médio de R$ 3.000.

O outro orgulho da empresa é o Instituto Microsiga, que instala laboratórios de informática em comunidades carentes, como o que está em funcionamento na favela de Heliópolis, zona sudeste de São Paulo. Este ano, 1.500 crianças aprenderam informática com os equipamentos e os professores pagos pela Microsiga. O sucesso da marca tem sido tanto que desde o ano passado estão canceladas as concessões de novas franquias. Para quem quiser compartilhar, a saída é esperar o lançamento das ações na Bolsa de Valores.