10/04/2002 - 7:00
Os amigos do Colégio Domus Sapientiae, no Itaim, São Paulo, não entendem por que Maurício não desgruda do telefone celular. Na hora do recreio ele está lá, entretido em inúmeras ligações. O que ninguém na escola sabe é que, aos 15 anos, Maurício Martins é o responsável pela InternetHost, uma empresa que hospeda sites na web. Ele atende nada menos que 350 clientes, que não o conhecem pessoalmente. A voz grave e o discurso articulado escondem sua idade. ?Os clientes nunca reclamaram do serviço e isso é o que importa?, diz o empresário. Criada há quase dois anos (faça as contas, Maurício tinha 13 anos), a InternetHost nunca deu prejuízo. Hoje, o faturamento chega a R$ 10 mil, dos quais a maior parte é lucro líquido. Nada mal para um garoto que ainda está no 2º ano colegial. Entre os amigos que sabem sua ?verdadeira identidade?, Maurício é o homem do dinheiro: vive recebendo convites para pagar a pizza e até pedidos de empréstimo. ?Ele é generoso com os amigos, mas sabe dos limites. Não é do tipo gastador?, diz o pai Leonel Martins, que concedeu o CGC para que a InternetHost fosse criada. O filho não tem idade para ter conta em banco.
Nova geração. Maurício é símbolo de uma geração criada pela internet. Montou seu primeiro site aos 12 anos. Fala em termos técnicos, programação, comércio eletrônico ? sem nunca ter feito um curso de informática. Tudo o que sabe foi extraído da própria rede. ?A internet é democrática, flexível. Provavelmente ele não teria tempo para tocar uma empresa no mundo real?, diz Bob Wolheim, CEO da incubadora Ideia.com. Pode ser. Maurício acorda diariamente às 5 horas e, antes de sair para a escola, checa os e-mails. Quando volta da escola, às 13 horas, começa a responder às mensagens e aos telefonemas. Só no final do expediente é que tem tempo para fazer as lições do colégio. ?Tenho uma regra que é atender o cliente, sem pressa, além de ajudá-lo em outros problemas. Esse é meu diferencial?, diz Maurício, usando o jargão do mundo empresarial. A sede da InternetHost é seu próprio quarto. Com um computador, fax e três linhas telefônicas, ele faz parcerias, cobranças, dá suporte técnico. Nas prateleiras, o material de escritório divide espaço com jogos de computador e troféus, que ganha no curso de teatro da escola, como melhor roteirista. O sonho é fazer a empresa crescer, ?sem ter que investir milhões de reais?. Outra lição que aprendeu na internet.