05/07/2000 - 7:00
Foram precisos cinco longos anos para que Bill Gates abraçasse o óbvio: a Microsoft não tem chance de se manter no topo do mercado de software sem mudar seu modelo de negócios e adaptá-lo ao estilo da Internet. Desde o lançamento do Explorer, em 1995, a companhia concentrou boa parte de suas forças para fazer do seu navegador uma espécie de Windows da rede. Conseguiu. Hoje, o Explorer está em 86% dos computadores com acesso à Web no mundo. Mas custou caro: um processo antitruste movido pela Justiça americana e a ameaça de ter que dividir a companhia em duas. Enquanto não sai a decisão da Suprema Corte americana ? que deve demorar um ou dois anos ? Gates e sua trupe estão concentrados no desenvolvimento do que eles estão chamando de ?a próxima geração da Internet?. A guinada radical passa por uma estratégia surpreendente em se tratando de Gates: a companhia quer fazer da Internet uma grande plataforma de aluguel de seus produtos e serviços.
A Microsoft vai alugar seus programas e cobrar mensalidade. ?Vamos deixar de ganhar dinheiro com licenças ou direitos autorais para conseguir receita a partir de assinantes?, disse Steve Ballmer, o atual número 1 de Gates na companhia. Todos os programas da companhia terão a marca .NET. A pré-estréia desse serviço de aluguel está prevista para o próximo ano, com a chegada da versão 1.0 do Windows.NET. Os outros programas estarão disponíveis na rede a partir de 2002. Muito do que Gates está prometendo com a .NET, porém, já está chegando ao mercado. A Oracle, por exemplo, investiu pesadamente em serviços semelhantes para grandes corporações. E a Sun, com a sua linguagem Java e o software Jini, promete para o final do ano um série de produtos que também vão utilizar a Internet como plataforma.
Ponto de partida. Anunciada com toda a pompa no dia 22 de junho, a nova jogada de Gates consiste em fazer com que todos os programas sejam acessados não só por computadores e servidores das empresas, mas por telefones celulares e assistentes pessoais. ?Temos trabalhado para oferecer software utilizando muitos dispositivos. O ponto de partida é a Internet?, disse Gates. Para desenvolver a nova tecnologia, a Microsoft vai gastar US$ 2 bilhões. Boa parte disso será usada para habilitar seus sócios e desenvolvedores independentes, que terão a missão de construir a nova plataforma. Alguns analistas, entretanto, alertam para o mau momento vivido pela Microsoft, devido ao processo por monopólio que a empresa enfrenta na Justiça. Além disso, há bastante ceticismo por parte dos desenvolvedores de programas para a Internet. Eles sabem que Gates não costuma dar espaço para concorrentes. Dentro ou fora da rede.