Após mudar a forma como o brasileiro consumia leite na década de 1960, a Tetra Pak quer entrar no ramo das bebidas alcoólicas, apostando no aumento do mercado de drinks prontos no Brasil. A aposta será no mercado Ready to Drink (prontos para beber, em tradução livre), que cresce em meio a estagnação nas vendas de cerveja no mundo inteiro.

Entre as marcas que já adotaram a embalagem cartonada para lançar bebidas com álcool estão a marca de cachaça Pitu, a Drinkss, com a versão pronta do Moscow Mule; a Skal, que aposta na caipirinha e a Celoko, que lançou uma linha de batidas com vodka. 

De acordo com pesquisa da Euromonitor, globalmente, no varejo, foram vendidos mais de 7,5 bilhões de litros de bebidas alcoólicas nessa categoria em 2024. O Brasil fica na oitava posição em vendas, com quase 180 milhões de litros. O crescimento anual em volume de vendas é de 4% na média. Na comparação, a Ambev anunciou os números de 2025 com uma queda de 4,5% no volume total de vendas da categoria cervejas. 

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O Diretor de Marketing da companhia no Brasil, Danilo Zorzan, explicou que a Tetra Pak já atua nesse mercado em outros países, como Estados Unidos, Itália, Espanha e Índia, e que o investimento maciço nos alcoólicos no Brasil aconteceu em 2025, de olho no público jovem.

“A gente sabe que um target primário para esse tipo de bebida vai ser a comunidade mais jovem, que aprecia a inovação, a novidade e a experiência. Quando a gente fala de drink pronto para beber, ele supera algumas barreiras tradicionais, como preço ou a dificuldade de preparo. Com todos esses atributos da embalagem, a gente vai poder contribuir para que o momento de consumo seja diferenciado”, apontou. 

Empresa quer consolidar crescimento fora dos lácteos

O executivo explica que a companhia trabalha com dois tipos de mercado: o principal, que consiste nos ramos de lácteos e de sucos, onde e empresa é líder, e dos adjacentes, que além da nova aposta nas bebidas alcoólicas, consiste em outras frentes como as bebidas proteicas, consideradas um “fenômeno” para Zorzan, bebidas vegetais e água.

“Nossa ideia é fazer a categoria madura muito bem feita, mas fazer as categorias adjacentes também bem feitas. A gente sabe fazer, já fez com as bebidas proteicas e esperamos que, com esse foco mais apurado nessas outras avenidas, a gente consiga trazer o mesmo resultado”, afirmou.

A expectativa é que as embalagens de alcoólicos se consolide nesse “mercado adjacente”, que cresce em média 8% ao ano.   

Gaseificados seguem fora da caixa

Apesar do grande investimento nesse mercado, as caixinhas têm uma limitação considerável: não conseguem segurar o gás das bebidas. Por isso, as embalagens longa vida ainda continuarão fora do mercado de gaseificados, como a cerveja e as Ices. 

“Nosso sistema é uma bobina de papel selada num sistema asséptico dentro de uma máquina que não permite que você injete gás. Se você injetar, ele vai tender a expandir e sair da embalagem. Então, a gente tem essa limitação tecnológica para qualquer tipo de bebida gasificada”, afirmou Zorzan.

Pitu na caixa

Marca tradicional de cachaça brasileira, a Pitu lançou, no final de 2025, uma linha de batidas nas caixinhas. A companhia também foi a primeira que comercializou a cachaça na lata, nos anos 1990.

“Assim como fomos pioneiros ao lançarmos cachaça em lata, agora levamos a clássica batidinha em uma versão pronta para beber para a embalagem Tetra Pak. Nosso compromisso é evoluir continuamente, unindo o moderno à tradição e mantendo viva a essência da Pitú”, explicou Maria Eduarda Ferrer, gerente de marketing da empresa.