04/12/2002 - 8:00
O empresário Jorge Gerdau Johannpeter coleciona uma série de feitos no mundo privado. Ele revolucionou a indústria siderúrgica brasileira, ergueu um complexo industrial que vale US$ 4,3 bilhões e sua empresa já comprou outras 10 no exterior, entre Estados Unidos, Canadá, Chile, Argentina e Uruguai. Foi eleita como a mais rentável do setor no mundo. Mas esse senhor de 65 anos quer mais. Não para o império pessoal que ajudou a construir. Agora, Jorge Gerdau
quer dividir sua experiência com todos os brasileiros. Ele quer
difundir a tecnologia da gestão ? que traz conceitos como
?qualidade total? e ?produtividade? ? não só em outras empresas nacionais, mas em entidades do governo e do terceiro setor. O objetivo é espalhar a competitividade conseguida nas fábricas das grandes indústrias brasileiras por toda economia do País. Por isso,
o empresário gaúcho começou uma peregrinação para vender essa idéia. Na semana passada, lançou em São Paulo o Movimento Brasil Competitivo (MBC). A entidade congrega empresários e representantes do governo, como os ministros Pedro Parente,
da Casa Civil, e Sergio Amaral, do Desenvolvimento. ?Hoje, encontramos vários pólos de excelência no Brasil. É obrigação dos empresários ajudar a transferir experiências e tecnologias para lugares menos desenvolvidos do País?, diz Gerdau.
O empresário gaúcho sabe exatamente do que se trata. Ele
costuma dizer que começou essa experiência na sua própria paróquia. No Rio Grande do Sul, o programa de competitividade já dura dez anos e promoveu uma revolução em empresas, hospitais, escolas, entidades governamentais e do terceiro setor. Gerdau dá um simples exemplo dessa transformação. Antigamente, a Junta Comercial de Porto Alegre, que aderiu ao programa, levava 45 dias para emitir uma certidão. Agora são apenas dois dias. ?Foi preciso analisar o processo e perceber onde se perdia tanto tempo, como se faz numa linha de produção?, ensina. E foi com essas idéias que Gerdau seduziu sua platéia paulista. No almoço de lançamento do MBC, o empresário falou exatos 45 minutos para os cerca de 90 empresários presentes. Foi o suficiente para angariar de imediato
18 adesões, entre elas, Bradesco, Votorantim, Banco Alfa e Natura. Essas empresas vão participar de comitês e pagarão uma anuidade de R$ 10 mil para a manutenção da entidade. Agora em dezembro, Gerdau vai a Bahia e a Minas Gerais conquistar novos adeptos para
o movimento. No dia 18, está agendada uma reunião em Brasília entre o atual grupo do MBC e a equipe de transição do governo
do PT. Espera-se que os nomes dos futuros ministros do presidente já estejam conhecidos e o encontro seja mais que uma mera
troca de apertos de mão. O empresário tem pressa. ?Sei que
esse é um projeto enorme, de longo prazo, e até um pouco
utópico?, diz Gerdau. ?Mas depois que realizamos uma meta,
criamos um novo sonho. Não é??