26/06/2002 - 7:00
Campeã de audiência nas telinhas, a Globo pleiteia papel de estrela também nas bolsas de valores brasileiras. A data da estréia do grupo da família Marinho nos pregões ainda não está marcada, mas o roteiro para levá-lo até a abertura de capital já está escrito e foi divulgado na semana passada. No primeiro capítulo ocorre a criação da Globo S/A, holding que vai abrigar as diversas empresas do conglomerado, que em 2001 faturou US$ 2,5 bilhões e emprega 20 mil pessoas. Com esse passo, as Organizações Globo dão início a um amplo processo de reestruturação, aproveitando as mudanças nas regras constitucionais que regem o setor das comunicações no País ? a nova redação do artigo 222 da Constituição Federal, recém-aprovada pelo Congresso, permite o controle de empresas da área, antes limitado a pessoas físicas, por grupos privados. Até agora o grupo adotava uma complicada estrutura jurídica na qual as participações acionárias estavam nas mãos de integrantes do clã dos Marinhos. O último capítulo, segundo Roberto Irineu Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, acontecerá com o lançamento de ações na Bolsa de Valores. Mas ele avisa: o controle acionário vai continuar nas mãos da família.
O comandante da Globo S/A será Henri Phellippe Reichstul, atual presidente da Globopar, empresa que administra as participações da família. Reichstul, ex-presidente da Petrobras, foi contratado justamente para formatar a nova cara do grupo. Ao longo dos últimos meses ele se debruçou sobre o organograma do conglomerado e acompanhou de perto as mudanças na legislação do setor. Com o sinal verde do Congresso, Reichstul deu a partida no processo de reestruturação. A instituição da Globo S/A só deve estar concluída no fim do ano ? até lá, a Globopar continua sendo a nave-mãe do grupo. Extra-oficialmente, no entanto, a nova companhia começou a funcionar na Quinta-feira 20, com a primeira reunião do seu conselho de administração. Têm assentos no comitê os três filhos de Roberto Marinho ? Roberto Irineu, presidente, João Roberto e José Roberto ? e outros cinco executivo: Reichstul, Marluce Dias, atual diretora geral da TV Globo, Luiz EduardoVasconcelos, da área de mídia impressa e rádios, Ronnie Moreira, diretor-financeiro, e Jorge Nóbrega, diretor da área de Estratégia Corporativa. A família Marinho terá poder de veto nas votações do conselho.
Elevado à condição de novo capo do grupo, Reichstul terá pela frente grandes desafios. O primeiro é o de comandar o processo de escolha do sócio estratégico. As novas regras permitem a participação de estrangeiro até o limite de 30% do capital das empresas de mídia. O segundo é resolver o imbróglio da Net Serviços de Comunicação (Netcom), ex-Globocabo. A empresa está no meio de um processo de capitalização de R$ 1 bilhão para reduzir seu endividamento e tentar sair da crise que vive.