Vice-presidente nacional do PSDB, o ex-governador Alberto Goldman  reiterou, em entrevista ao Broadcast Político, as críticas ao prefeito  eleito de São Paulo neste primeiro turno, o empresário João Doria Jr  (PSDB). “Não vou abrir mão da minha visão crítica”, disse ele, lembrando  que assinou a ação que tramita no Ministério Público Eleitoral (MPE)  contra Doria e o governador Geraldo Alckmin por suspeita de abuso de  poder político neste pleito.

“Assinei e no meu entender  houve mesmo abuso de poder, não volto atrás”, afirmou. Apesar das  críticas, disse que o momento é de torcer para uma boa gestão na  capital, “porque uma cidade de cerca de 12 milhões de habitantes como  São Paulo merece isso”.

Após a confirmação de vitória neste  primeiro turno, Doria, fez um discurso pacificador, citando  nominalmente Alberto Goldman e dizendo que é preciso unir o PSDB.  Indagado sobre este aceno, o vice-presidente nacional do partido disse  que ainda não pensou em uma conversa com ele e isso ainda não foi  colocado por nenhum lado. “Vamos dar um tempo, isso ainda não me passou  pela cabeça, vou avaliar no momento adequado (o aceno do prefeito  eleito)”, frisou, reiterando torcer para que São Paulo tenha uma boa  gestão e que cabe ao PSDB fazer “o melhor possível”. Questionado se  poderá apoiar as ações de Doria no comando da maior cidade do País,  destacou: “Nem vou discutir (apoio). Ele (Doria) não precisa de apoio  meu”.

Ação

Na entrevista ao Broadcast  Político, Goldman falou da ação contra Doria que tramita no Ministério  Público Eleitoral e disse que é um processo que terá seu andamento, pois  no momento está nas mãos da promotoria.

Ao ser escolhido  por Alckmin para ser o candidato tucano à disputa municipal em São  Paulo, Doria provocou um racha na sigla e foi denunciado ao Ministério  Público por Goldman e pelo senador José Aníbal (que no final do primeiro  turno gravou depoimento em apoio ao candidato tucano) “por compra de  votos” nas prévias tucanas.

Nesse processo, Andrea  Matarazzo, que foi um dos fundadores do PSDB, deixou a sigla, filiou-se  ao PSD e disputou essas eleições como vice na chapa da atual  peemedebista Marta Suplicy. A representação assinada por Goldman e  Aníbal foi protocolada no Ministério Público no dia 29 de março.

Mesmo  após a vitória de Doria em primeiro turno, Goldman sustenta as críticas  e diz que não volta atrás na decisão que motivou a ação. “Minha  assinatura está lá e eu creio que houve mesmo este abuso.” Há alguns  dias, em uma resposta a comentários dos leitores em seu blog pessoal, o  ex-governador de São Paulo fez duras críticas a João Doria, disse que  não indicaria voto nele “de forma nenhuma” e falou ainda que ele era  ”uma desgraça para o partido”.

Presidência

Na  avaliação do ex-governador, a vitória histórica do candidato do PSDB na  Capital foi resultado de três fatores essenciais: o desejo majoritário  do eleitorado em varrer o Partido dos Trabalhadores do mapa político,  não apenas no maior colégio eleitoral do País, mas no Brasil inteiro; a  aliança com um leque majoritário de partidos que lhe garantiu uma base  de candidatos a vereador fazendo campanha em todos os cantos da cidade e  um tempo maior de que o de seus concorrentes no horário político  eleitoral gratuito no rádio e na TV; e o discurso de Doria, que vendeu a  proposta do “não político”, apostando na onda antipolítica que vem se  delineando no País, na esteira dos escândalos deflagrados pela Operação  Lava Jato.

Indagado se o apoio de Geraldo Alckmin ao  afilhado político credencia o governador para ser o candidato da sigla à  Presidência da República em 2018, Goldman disse: “Não vou minimizar o  apoio de Alckmin, mas acredito que a vitória (de Doria) é resultado da  soma desses fatores”.

No seu entender, São Paulo sempre  tem um peso central na escolha do candidato ao Palácio do Planalto e  apesar de Alckmin “ser um nome sempre expressivo neste cenário”, lembrou  que o partido tem outros grandes nomes, como o do ministro das Relações  Exteriores, José Serra, e do presidente nacional do PSDB, senador Aécio  Neves (MG). E frisou que é preciso aprender a conviver com as  diferenças internas partidárias. “Sempre fui um crítico dentro do  partido”, finalizou.