O Google implementou, nesta terça-feira, alterações significativas em seus resultados de busca online na Europa, buscando adequar-se às exigências dos órgãos antitruste da União Europeia. A gigante tecnológica expressou que as mudanças, motivadas por uma multa de 460 milhões de euros em julho por violação da Lei dos Mercados Digitais (DMA), prejudicam a experiência dos usuários e aumentam os custos para as empresas na região.

O que aconteceu

  • O Google muda busca Europa para cumprir com exigências antitruste da União Europeia.
  • A empresa alega que as alterações prejudicam a experiência do usuário e favorecem sites de comparação de preços.
  • A Comissão Europeia multou o Google em 460 milhões de euros em julho por violar a Lei dos Mercados Digitais (DMA).

Apesar da União Europeia ter apresentado as mudanças como uma forma de nivelar o campo de atuação para as empresas anunciarem, o Google entende que elas favorecem sites de comparação de preços, ou serviços de busca vertical (VSS). Isso inclui plataformas ligadas a setores como hotéis, companhias aéreas e restaurantes, a exemplo da Expedia ou Booking.com, que ganhariam maior destaque em detrimento das empresas desses setores listadas apenas com links e contatos.

Regulamentação e penalidades

A decisão de alterar os resultados de busca vem na esteira de uma multa aplicada à gigante tecnológica dos Estados Unidos, em julho. No valor de 460 milhões de euros, a penalidade foi imposta por favorecer seus próprios serviços em resultados de compras, hotéis, transporte e esportes nas buscas. A medida representa uma violação da Lei dos Mercados Digitais (DMA) da UE, legislação que busca conter o poder das grandes empresas de tecnologia.

A Comissão Europeia concedeu ao Google 60 dias para cumprir integralmente a DMA. O não cumprimento pode resultar em multas periódicas de até 5% do faturamento mundial total da empresa, indicando a seriedade da regulamentação.

Com as reformulações, um mecanismo de busca especializado será destacado no topo da página, seguido por outros dois com menos detalhes. Um carrossel de hotéis, companhias aéreas e restaurantes, por exemplo, aparecerá abaixo, porém sem recursos-chave como preços em tempo real. As classificações continuarão a ser determinadas pelo algoritmo do Google, gerando questionamentos sobre a real independência dos resultados.

Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google, afirmou em comunicado à Reuters que “para cumprir os requisitos da DMA, estamos fazendo mudanças significativas na Pesquisa na Europa”.

Como as alterações impactam os usuários europeus?

Fox reiterou que “essas mudanças prejudicam a experiência do usuário para os europeus – favorecendo intermediários online em detrimento das empresas locais e removendo recursos úteis com os quais as pessoas contam no dia a dia”. O executivo garantiu que usuários fora da União Europeia não serão afetados por essas mudanças.

A companhia indicou que mudanças prévias para cumprir a DMA resultaram em uma queda de 30% no tráfego de reservas diretas e gratuitas para empresas europeias. Há a expectativa de que as mais recentes alterações também impactem negativamente essas empresas.

Testes realizados com milhões de usuários na Europa, segundo a empresa, revelaram um alto nível de insatisfação. Muitos relatam a necessidade de redigitar consultas para encontrar as informações desejadas, evidenciando uma potencial piora na usabilidade do serviço.

Ao longo de quase duas décadas, o Google acumulou multas antitruste da União Europeia, totalizando 10,38 bilhões de euros.

As sanções impostas pela União Europeia já geraram críticas de figuras políticas, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele chegou a ameaçar iniciar uma investigação sobre o que classificou como “roubo” que o bloco estaria cometendo contra as empresas norte-americanas.

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