29/04/2026 - 15:42
O governo central (que compreende Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central ) registrou um déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março deste ano, sob impacto de uma antecipação em pagamentos de precatórios, dívidas da União com sentenças judiciais definitivas, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira, dia 29, no pior resultado para o mês da série histórica iniciada em 1997. O dado contrasta com o superávit de R$1,527 bilhão registrado no mesmo mês de 2025.
O rombo fiscal de março foi maior que o projetado pelo mercado. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado seria deficitário em R$71,627 bilhões no mês passado.
O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo, desconsiderando os juros da dívida pública.
O desempenho de março é resultado de receitas líquidas — que excluem transferências para governos regionais — de R$196,098 bilhões, um aumento real de 7,5% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$269,881 bilhões, alta real de 49,2%.
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De acordo com o Tesouro, a disparada nas despesas foi impulsionada pelo cronograma de pagamentos de precatórios, que neste ano concentrou desembolsos em março, contra pagamentos principalmente em julho no ano passado.
Esse efeito de calendário, segundo a secretaria, levou a um pagamento adicional de R$34,9 bilhões em sentenças judiciais, R$28,6 bilhões em benefícios previdenciários e R$11,3 bilhões em gastos com pessoal.
Do lado das receitas, houve aumento de 6,2% na coleta de tributos administrados pela Receita e alta de 5,9% na arrecadação líquida da Previdência.
No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$136,5 bilhões, ou 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB).
