Diante da oposição da Alemanha, o governo grego busca, a partir deste fim de semana, aliados na Europa para acabar com a austeridade e reestruturar sua dívida.

Antes de dar início, neste domingo, a uma série de visitas que começará com o Chipre, o primeiro ministro, Alexis Tsipras, pediu calma, afirmando que sua equipe não atuará “de forma unilateral na questão da dívida grega”.

Em um comunicado, o dirigente afirmou que “a concertação com nossos sócios europeus acaba de começar”.

Ele acrescentou que precisam de “tempo para respirar e criar nosso próprio programa de recuperação a médio prazo”, que consiste em orçamentos equilibrados e medidas contra a corrupção, o clientelismo e a evasão fiscal.

Os primeiros movimentos do governo Syriza estão sendo acompanhados de perto na Espanha, onde seu aliado, Podemos, organiza neste sábado uma grande manifestação em Madri contra a “casta” dirigente.

O ministro grego da Economia, Yanis Varoufakis, e o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, buscarão aliados na França e na Itália, dois países mais receptivos a seus argumentos.

Varoufakis adiantou, neste sábado, sua visita a Paris, onde se reunirá no domingo pela tarde com o colega Michel Sapin e com o titular da Economia, Emmanuel Macron.

Na segunda-feira, se encontrará, em Londres, com o britânico George Osborne, e na terça-feira, em Roma, com o italiano Pier Carlo Padoan.

Enquanto isso, Tsipras estará na terça-feira em Roma com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e na quarta-feira em Paris com o presidente francês, François Hollande.

Eles tentarão, assim, unir-se frente à intransigência da Alemanha, e após anunciar na sexta-feira que seu governo quer romper com a troika de credores (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) e suas políticas de austeridade.

A chanceler Angela Merkel advertiu neste sábado que descarta um novo perdão da dívida grega e lembrou que em 2012 os credores privados perdoaram a metade da dívida soberana da Grécia, de cerca 106 bilhões de euros.

Na linha mesma da chanceler, o ministro alemão da Economia, Wolfgang Schäuble, se pronunciou no jornal Die Welt contra essa opção.

Apesar de cinco anos de ajustes, a dívida pública grega segue em níveis astronômicos (175% do PIB), e o governo da esquerda radical, Syriza, exige um perdão de 50% para estimular a economia.

Para tratar do tema da dívida, o governo grego anunciou neste sábado que contratou como assessor o banco francês Lazard.

Na sexta-feira, o diretor da instituição, Matthieu Pigasse, defendeu que se reduzisse pela metade a dívida soberana grega nas mãos de credores públicos, o que implicaria um perdão de 100 bilhões de euros (o total da dívida pública de Atenas ultrapassa os EUR 315 bilhões).

O Executivo grego anunciou na sexta-feira que não deseja receber a última parcela de ajuda pendente, cerca de 7 bilhões de euros. E afirmou também que não quer prolongar o resgate, que expira em 28 de fevereiro.

Sua atitude foi criticada pelo chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que disse na sexta-feira em Atenas que “ignorar os acordos prévios não é um caminho a seguir”.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, acrescentou nesse domingo que lhe parece “irresponsável” a intenção do governo grego de não trabalhar com a troika “sobre as bases atuais”.

Durante a semana, o governo anunciou diversas medidas para pôr fim às políticas de austeridade e às privatizações aplicadas desde 2010 em troca de dois resgates em um total de 240 bilhões de euros.

Em um encontro com seu gabinete, na noite de sexta-feira, Tsipras afirmou que manterá suas promessas eleitorais, segundo a imprensa local, que citou fontes do governo.

“Meus predecessores escolheram dizer uma coisa durante a campanha e fazer outra depois das eleições. Tinham o apoio da população e o perderam. Eu quero me manter fiel a minhas promessas”, disse Tsipras, líder da esquerda, ao seu vice-primeiro-ministro, Yanis Dragasakis, e seu ministro da Economia, Yanis Varoufakis.

O ministro da Economia e o primeiro-ministro fizeram estas declarações após as visitas na quinta e na sexta-feira a Atenas dos primeiros dirigentes da UE, o presidente da Eurocâmara, Martin Schulz, e o chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

Este último se mostrou tenso na coletiva de imprensa com Varoufakis, e afirmou que Atenas “ignorar os acordos prévios não é um caminho a seguir”.

Depois de sua passagem pelo Chipre, visita obrigatória para um primeiro-ministro grego recém-eleito, Tsipras se reunirá na terça-feira em Roma com o colega italiano, Matteo Renzi. Na quarta-feira se encontrará em Paris com o presidente francês, François Hollande.

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