O governo federal anunciou nesta segunda-feira, 4, o Novo Desenrola Brasil, também chamado de Desenrola 2.0, um conjunto de medidas com objetivo de diminuir o endividamento das famílias, estudantes, empresas e produtor rural.

O pacote inclui uso de até 20% da conta Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), descontos de 30% a 90% no débito e refinanciamento com juros mais baixos, de no máximo 1,99% ao mês. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo prevê um desconto médio de 65% nas dívidas das famílias que aderirem ao programa, que tem previsão de duração de 90 dias.

Veja abaixo as regras: 

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O Novo Desenrola Brasil abrange quatro categorias de devedores:

  • Desenrola Família – renegociação de dívidas atrasadas com uso do FGTS, além de novas regras para o Consignado INSS e Consignado Público;
  • Desenrola Fies – para uso de beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies);
  • Desenrola Empresas – com linhas de crédito do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e ProCred;
  • Desenrola Rural – para produtores e produtoras rurais.

Desenrola Família

Inclui dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e dois anos. Os juros mensais dos débitos renegociados caem da taxa atual para até 1,99% ao mês. Poderão participar brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).

O programa garantirá ainda um prazo de até 35 dias para o pagamento da primeira parcela do saldo da dívida, após a renegociação, e até 48 meses para pagamento total da dívida.

Quem renegociar dívidas com o programa ficará impedido de jogar em casas de apostas eletrônicas durante o período de um ano.

Para as instituições financeiras, a operação terá garantia do FGO (Fundo Garantidor de Operações). As taxas de desconto no valor da dívida serão definidas conforme o tempo de atraso, segundo o exibido na tabela a seguir:

Categoria91-120 dias121-150 dias151-180 dias181-240 dias241-300 dias301-360 dias1 a 2 anos
Rotativo40%45%50%55%70%85%90%
Crédito Pessoal30%35%40%45%60%75%80%

Como será o uso do FGTS

Os trabalhadores poderão usar até 20% do saldo ou até R$ 1 mil do FGTS, o que for maior, para reduzir seu endividamento. Só será possível acessar os recursos após a renegociação da dívida. Segundo o ministério da Fazenda, a medida protege o trabalhador porque obriga a instituição financeira a dar os descontos mínimos na dívida original.

O governo estima que os valores resgatados do FGTS poderão alcançar o limite global de R$ 8,2 bilhões.

Uso do FGO e contrapartidas das empresas

Os recursos do FGO funcionarão como garantia para as instituições financeiras que renegociarem dívidas de seus clientes. O governo federal já disponibilizou R$ 2 bilhões do fundo para o programa.

Em contrapartida, as empresas deverão limpar o nome de quem tem dívidas do crédito renegociado inferiores a R$ 100. Também serão obrigadas a destinar 1% do valor garantido pela FGO para programas de educação financeira.

Por fim, os bancos ficam proibidos de enviar recursos a casas de apostas via cartão de crédito, crédito parcelado, pix crédito e pix parcelado. A medida visa restringir o acesso a apostas com dinheiro emprestado.

O Fundo de Garantia de Operações (FGO), fundo privado administrado pelo Banco do Brasil, assegura uma parte do risco dos empréstimos e financiamentos concedidos a microempresas, empresas de pequeno porte, microempreendedores individuais e profissionais liberais.

Consignado INSS e Consignado Público

O pacote para melhorias da vida financeira das famílias abrange também mudanças em linhas do crédito consignado.

No caso do Consignado INSS, até então, a margem consignável com empréstimos da parcela do INSS era de 45%, sendo 35% para o empréstimo consignado tradicional, 5% no cartão consignado e 5% no cartão de benefícios.

Agora, a margem do Consignado INSS cai para 40%, com, no máximo 5% disponíveis para serem utilizados, ou no cartão consignado ou no cartão de benefícios, que apresentam juros médios maiores. A redução da margem consignável seguirá progressivamente, com cortes de dois pontos percentuais ao ano até atingir 30%.

O programa também aumentou o prazo para pagamentos de dívidas no Consignado INSS de 96 meses para 108 meses, com objetivo de reduzir o tamanho das parcelas. Também eliminou a vedação à carência, de forma que o pagamento de novos empréstimos poderá ocorrer agora em até 90 dias.

Também foi reduzido o teto consignável para empréstimos pelo Consignado Público, que passa de 45% para 40%, com previsão de novas reduções progressivas de 2 p.p. até chegar a 30%. A medida também visa restringir o uso do cartão consignável, que tem juros mais caros e pode descontar até 10% do salário do servidor público.

O prazo das operações no Consignado Público sobe de 96 meses para 120 meses, e fica autorizada nova carência de até 120 dias.

Desenrola Fies

Estudantes com atraso no pagamento do Fies superior a 90 dias também poderão buscar renegociação. O governo estima que 1 milhão de pessoas buscará o programa nesta categoria.

As opções para renegociação também serão definidas de acordo com o tempo de atraso, além da faixa de renda do estudante, conforme segue:

  • Acima de 90 dias: Caso o pagamento ocorra à vista, serão descontados a totalidade dos juros e multas e 12% do valor principal. Caso ocorra o parcelamento, serão descontados apenas juros e multas;
  • Acima de 360 dias para estudantes inscritos no CadÚnico: desconto de até 99% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor;
  • Acima de 360 dias para estudantes fora do CadÚnico: desconto de até 77% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.

Podem se inscrever no CadÚnico famílias com renda per capita de até meio salário mínimo.

Desenrola Empresas

Para reduzir o endividamento empresarial, o governo federal mudou regras de dois programas de crédito, o Procred (voltado para microempresas) e o Pronampe (para micro e pequenas empresas, com faturamento de até R$ 4,8 milhões ao ano). O plano busca oferecer alternativas para que as organizações troquem empréstimos caros por outros com juros mais baixos.

As mudanças ampliaram o prazo de carência dos empréstimos, o prazo para pagamento, a tolerância com atrasos e o cálculo do limite de crédito. Veja nas tabelas abaixo:

MUDANÇAS DE REGRAS NO PROCRED
CaracterísticaRegra AnteriorNova Regra
Prazo de CarênciaAté 12 mesesAté 24 meses
Prazo Máximo de PagamentoAté 72 mesesAté 96 meses
Tolerância no Atraso para concessão de novos créditosAté 14 diasAté 90 dias
Limite de Crédito Geral30% do faturamento (Teto R$ 150 mil)50% do faturamento (Teto R$ 180 mil); 60% para empresas de mulheres
Limite (Empresas de Mulheres)50% do faturamento60% do faturamento (Teto R$ 180 mil)

 

MUDANÇAS DE REGRAS NO PRONAMPE
CaracterísticaRegra AnteriorNova Regra
Prazo de CarênciaAté 12 mesesAté 24 meses
Prazo Máximo de PagamentoAté 72 mesesAté 96 meses
Valor Máximo do CréditoR$ 250 milR$ 500 mil
Tolerância no Atraso para concessão de novos créditosAté 14 diasAté 90 dias

Desenrola Rural

Para os pequenos agricultores, foi prolongada até dezembro de 2026 a linha de financiamento no mesmo modelo da primeira edição do Desenrola Rural, disponibilizada no ano passado. A expectativa do governo federal é de que 800 mil produtores que não conseguiram acessar a primeira edição devido ao prazo sejam beneficiados agora.

Veja o vídeo ao vivo com o anúncio oficial do novo Desenrola: