O governo de Portugal vetou a compra da Vivo pela Telefônica. Por meio de sua ?golden share?, mecanismo que permite vetar transações independentemente da participação na empresa, o governo rejeitou a venda da empresa de telefonia móvel brasileira.

A maioria dos acionistas (74%) aceitou a proposta dos espanhóis, de 7,15 bilhões de euros, para assumir a metade que pertence à Portugal Telecom na Brasilcel, holding que controla a Vivo. A outra metade já pertence à Telefônica.

A golden share utilizada pelo governo português é polêmica. A medida está sendo julgada pela União Europeia, que a considera ilegal. A Comissão Europeia vai discutir o assunto no dia 8 de julho, em Bruxelas, e pode, inclusive, anular a ação portuguesa. A vice-presidente da comissão, Neelie Kroes, já manifestou posição contrária à intervenção dos governos nas transações entre empresas privadas.

Os executivos da Portugal Telecom sempre se posicionaram contra o uso da medida, o que a torna ainda mais polêmica . Zeinal Bava, presidente da empresa, chegou a afirmar que a venda da Vivo era uma decisão que cabia somente aos acionistas, e não ao governo português.

José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, defendeu a posição do governo dizendo que a golden share é para ser utilizada quando necessário. Sócrates também afirmou que tanto a Telefônica, quanto os acionistas da PT, conheciam a opinião do governo sobre a transação.

Esta foi a terceira oferta da empresa espanhola pela operadora brasileira. No início de maio, a Telefônica fez uma oferta de 5,7 bilhões de euros pela empresa, que foi recusada pela Portugal Telecom. No começo de junho, os espanhóis subiram a oferta para 6,5 bilhões de euros.

Atualmente, a Portugal Telecom tem 70% de seu controle na mão de acionistas estrangeiros, como o BlackRock, um grande fundo de investimento dos Estados Unidos.

Veja em vídeo uma análise de por que a Telefônica quer comprar a Vivo.