Os investigadores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) acusaram o governo sírio nesta sexta-feira (27) de perpetrar um ataque com cloro na cidade de Duma em 2018, que matou 43 pessoas.

De acordo com um relatório publicado nesta sexta-feira, “há uma base razoável para acreditar que a aviação síria realizou o ataque com armas químicas em 7 de abril de 2018 em Duma”, disse a Opaq em um comunicado.

O ataque foi realizado por pelo menos um helicóptero da força aérea síria, que lançou dois barris de gás tóxico sobre a cidade de Duma, perto da capital Damasco, durante a guerra civil.

Esses barris “atingiram dois prédios residenciais em uma área central da cidade”, segundo o relatório.

Damasco e seu aliado russo alegaram que o ataque foi uma farsa dos rebeldes e das equipes de resgate encomendadas pelos Estados Unidos, que dias depois realizaram ataques aéreos na Síria junto com o Reino Unido e a França.

A Opaq, com sede em Haia, afirmou nesta sexta-feira que nenhuma evidência sustenta as alegações de Damasco e Moscou. A organização explicou que seus investigadores “examinaram uma série de cenários possíveis” e concluíram que “a força aérea síria é a perpetradora deste ataque”.

“O uso de armas químicas em Duma – e em outros lugares – é inaceitável e constitui uma violação do direito internacional”, disse o diretor-geral da Opaq, Fernando Arias, em nota.

“O mundo agora conhece os fatos. Cabe à comunidade internacional agir, dentro e fora da Opaq”, acrescentou Arias.

Duma estava sob controle rebelde no momento do ataque, que ocorreu durante uma grande ofensiva das forças do governo sírio para retomar a cidade.

Os socorristas afirmaram que atenderam pessoas com problemas respiratórios, com espuma na boca e outros sintomas.