10/06/2026 - 12:59
Os cinco maiores bancos de capital aberto do Brasil já distribuíram mais recursos aos acionistas durante o terceiro governo do presidente Lula do que em todo o governo Bolsonaro mandato anterior, mostra levantamento da Elos Ayta.
Entre 2023 e o 1º trimestre de 2026, Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander Brasil já pagaram R$ 195,7 bilhões em dividendos e JCPs. O montante já supera em 24,2% os R$ 157,5 bilhões distribuídos pelas mesmas instituições ao longo dos quatro anos do governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022.
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O levantamento considera exclusivamente dividendos e juros sobre capital próprio efetivamente pagos elos bancos. Foram excluídos dividendos apenas anunciados ou aprovados e ainda não desembolsados. Os dados foram obtidos a partir das informações divulgadas pelas próprias companhias e compilados pela Elos Ayta.
“Os dados mostram que os grandes bancos atravessaram um dos ciclos mais rentáveis da história recente do setor financeiro brasileiro. O crescimento dos pagamentos reflete não apenas resultados robustos, mas também a elevada capacidade dessas instituições de transformar lucro em retorno direto aos investidores”, afirma Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.

Lucros recordes em meio a Selic nas alturas
O avanço dos dividendos ocorre em um período marcado por juros elevados e lucros recordes dos bancos.
O reflexo apareceu diretamente na remuneração dos acionistas. Em 2025, os cinco bancos analisados desembolsaram R$ 85,3 bilhões em dividendos e JCPs, o maior valor anual registrado em toda a série histórica analisada pela consultoria.
O Itaú concentrou R$ 48,9 bilhões em dividendos e JCPs durante 2025, valor recorde e equivalente a mais da metade de tudo o que foi pago pelos cinco bancos no ano. No acumulado desde 2019, o Itaú responde por 38,8% de todos os recursos distribuídos pelos cinco maiores bancos listados da Bolsa brasileira.
O BTG foi o que registrou o maior crescimento proporcional dos pagamentos. Os desembolsos passaram de R$ 4,9 bilhões durante o governo Bolsonaro para R$ 12,3 bilhões no governo Lula 3 até o primeiro trimestre de 2026, uma expansão de 149,4%.
O Banco do Brasil também ampliou significativamente a remuneração aos acionistas, passando de R$ 33,5 bilhões para R$ 42,8 bilhões, alta de 27,9%.
Já Santander Brasil e Bradesco apresentam volumes inferiores aos observados no governo anterior, embora a comparação ainda seja parcial devido à ausência dos três últimos trimestres de 2026.
A Elos Ayta pondera também que parte do recorde observado em 2025 pode estar associada à antecipação de pagamentos por diversas companhias brasileiras diante das discussões envolvendo possíveis mudanças na tributação dos dividendos. “Empresas com forte geração de caixa e elevada capacidade de distribuição teriam acelerado pagamentos que poderiam ocorrer em períodos posteriores, contribuindo para elevar o volume de recursos transferidos aos investidores”, destaca o levantamento.
