13/07/2015 - 11:18
Os líderes da zona do euro alcançaram nesta segunda-feira um acordo para começar a negociar um novo programa de resgate com a Grécia, que impõe ao governo de Alexis Tsipras uma série de medidas draconianas e grandes sacrifícios para a exausta economia do país.
Agora a urgência é fazer com que a Grécia consiga honrar o pagamento de 4,2 bilhões de euros ao Banco Central Europeu até 20 de julho. Para isto, os ministros das Finanças da zona do euro voltam a se reunir nesta segunda-feira para conceder a Atenas um crédito pontual.
Após o anúncio do acordo, o Banco Central Europeu (BCE) informou que manterá sem alterações os empréstimos de emergência (ELA) aos bancos gregos, vitais para manter o fluxo do sistema bancário do país, vítima de uma grande fuga de capitais nos últimos meses.
Após 17 horas de negociações difíceis, marcadas pela desconfiança e pela divisões, assim como pela ameaça de uma saída da Grécia da união monetária, os 19 países da Eurozona chegaram a um acordo “por unanimidade”.
“O ‘Grexit’ desapareceu”, disse à AFP o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, depois de reconhecer que a missão foi “trabalhosa”.
A possibilidade de uma saída da zona do euro estava sobre a mesa durante boa parte das negociações, iniciadas no domingo à tarde.
Os mercados europeus reagiram bem ao acordo e as Bolsas operavam em alta.
O Parlamento grego deve aprovar agora as reformas negociadas com os sócios europeus, uma série de medidas duras de ajuste em termos de pensões, aumento de impostos e ampliação do programa de programa de privatizações.
O calendário do acordo impõe primeiro uma votação na Grécia da nova legislação, seguida pela aprovação dos Parlamentos nacionais nos dias seguintes.
Na Alemanha, o Bundestag pode votar na sexta-feira, afirmou o presidente do Parlamento, Norbert Lammert.
O governo grego decidiu nesta segunda-feira prolongar mais uma vez o fechamento dos bancos por um período que deve ser anunciado ainda esta noite, indicou à AFP uma fonte do ministério das Finanças, que pediu anonimato.
Após uma reunião entre o vice-ministro das Finanças Dimitris Mardas e os diretores dos principais bancos gregos, e apesar do acordo anunciado em Bruxelas, o governo decidiu manter o controle de capitais e “o fechamento dos bancos”, uma medida em vigor desde 29 de junho.
Desde que o governo impôs um controle de capitais, a economia grega está paralisada. Os bancos sobrevivem apenas graças à ajuda de emergência do BCE, que decidiu manter inalterado o limite máximo dos seus empréstimos de emergência (ELA) para bancos gregos, cerca de 89 bilhões de euros.
O terceiro resgate ao país, que foi beneficiado por programas de ajuda em 2010 e 2012, está avaliado em algo entre 82 e 86 bilhões de euros durante três anos.
O documento final inclui vários pontos que o governo de Tsipras queria evitar, como a participação do FMI no resgate, novas privatizações e a criação de um fundo de 50 bilhões de euros controlado pela UE que servirá para amortizar a dívida.
Sobre a dívida, o documento abre o caminho para uma reestruturação e a ampliação dos prazos, mas recorda que não é possível uma redução.
O acordo obriga o governo grego a legislar rapidamente esta semana sobre as novas medidas, incluindo a reforma das pensões e a abertura à concorrência em setores como transporte marítimo e energia, assim como uma “revisão e modernização” do mercado de trabalho.
Em Bruxelas, a chanceler Angela Merkel afirmou que “o caminho será longo e difícil” para o pacote de resgate.
O presidente francês, François Hollande, foi mais otimista e celebrou uma “decisão histórica” da União Europeia e a “corajosa decisão” do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras.
Tsipras afirmou que batalhou “até o fim” para obter um acordo, que os sócios da zona do euro defenderam que fosse “mais rigoroso”.
Na Grécia, muitos cidadãos usam as palavras “humilhação, miséria e escravidão” para definir o acordo.
A situação pode provocar uma nova crise política para Alexis Tsipras, que conseguiu o apoio da oposição nas negociações com os credores, mas sob o risco de aumentar as divisões dentro de sua coalizão.