Um grupo de apoio ao soldado Bradley Manning, suspeito de ter repassado ao site WikiLeaks documentos secretos americanos, afirmou nesta terça-feira que o presidente Barack Obama ignorou o princípio de presunção de inocência em declarações recentes.

Mas a Casa Branca questiona a interpretação do grupo.

A “Rede de Apoio a Bradley Manning” divulgou um vídeo gravado na última quinta-feira, segundo o grupo, durante uma reunião para arrecadar fundos em um hotel de São Francisco.

No vídeo, Obama é interpelado por um membro da rede e tem início uma conversas sobre o caso Manning.

“Se divulgo informações quando não estou autorizado para isto, infrinjo a lei. Estamos em um Estado de direito! Não deixamos que as pessoas tomem suas próprias decisões sobre o modo como funcionam as leis”, explica Obama, segundo as imagens.

“Mas não tinha a responsabilidade de revelar…?”, pergunta o interlocutor do presidente. Obama o interrompe: “Infringiu a lei!”, afirma.

A Rede de Apoio considera que Obama declarou culpado o soldado Manning antes do processo em uma corte marcial.

“O presidente Obama é o comandante-em-chefe das Forças Armadas”, comentou Kevin Zeese, um jurista que integra a rede.

“O júri (militar) que decidirá a inocência ou culpa de Bradley Manning estará composto por oficiais que estão sob suas ordens. Estes oficiais vão contradizer o comandante-em-chefe?”, questiona Zeese.

A Casa Branca questionou a ideia de que Obama tenha atentado contra a presunção de inocência do soldado Manning.

“O presidente destacava, em termos gerais, que a publicação não autorizada de informações confidenciais não é um ato legal. Não expressava uma opinião específica sobre a culpa ou inocência do soldado Manning”, afirmou à AFP um porta-voz da presidência, Tommy Vietor.

Bradley Manning, 23 anos, ex-analista de inteligência no Iraque, foi acusado, entre outras coisas, de “conivência com o inimigo”. Ele pode ser condenado à prisão perpétua.

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