Uma empresa com dificuldades financeiras não é necessariamente uma má pagadora para todo mundo e o mercado tem perdido oportunidades ao não dar crédito por medo do risco, sem levar em conta outros dados contábeis. Essa é a leitura da Lunna IA, plataforma de inteligência de dados e análise de crédito B2B que em 6 meses já auxiliou na liberação de mais de R$ 100 milhões em limites de crédito.

A plataforma foi crida pelos empreendedores Antonio Matarazzo, Matheus Marques e Bruno Contreiras. Inicialmente focada em automatizar o crédito para instituições financeiras, a Lunna expandiu seu horizonte estratégico após ser comprada e estruturada pelo ecossistema do Grupo Everblue, que possui um histórico de mais de R$ 3 bilhões em crédito concedidos.

Para analisar a real capacidade de pagamento de cada cliente, a plataforma rastreia e analisa documentos “não estruturados”, como balanços patrimoniais, demonstrações de resultado e árvore genealógica de sócios e grupos econômicos ocultos. A Lunna utiliza inteligência artificial para capturar informações sobre a empresa e seus sócios (situação cadastral, processo, protestos, parentes, imóveis, carros, telefones, emails, localização, como o CNPJ está pagando seus boletos e Serasa) e cruzar essas variáveis internas com dados externos de fontes como o Banco Central e Serasa.

A Lunna opera em modelo SaaS (Software as a Service). Ao fazer a consulta de um CNPJ, o sistema consolida dados financeiros, comportamentais e cadastrais, aplica modelos de IA e gera um score estruturado e relatórios iniciais praticamente em tempo real.

Os clientes parceiros são empresas em sua maioria empresas que vendem para outras empresas a prazo.

“Nossos clientes, antes, tinham uma política de crédito muito restritiva e, por isso, acabavam não dando limites para quem tinha capacidade de pagar. Com a Lunna eles passaram a analisar todos os clientes no detalhe e, hoje, liberam limites maiores (ou seja, vendem mais) mantendo a inadimplência estável”, afirma Antonio Matarazzo, atual CEO.

Segundo ele, as empresas parceiras relataram um aumento de cerca de 3% no faturamento com o uso da plataforma pela recuperação de vendas que seriam anteriormente negadas por burocracia ou falta de dados.

A meta da empresa é viabilizar a concessão de R$ 1 bilhão em crédito industrial até o fim deste ano, focando especialmente em empresas que faturam acima de R$ 100 milhões anuais.