21/02/2026 - 9:00
O folião não sobrevive apenas de festa, e pensando nisso as principais empresas de delivery de comida no país movimentaram investimentos de marketing para disputar os pedidos durante o período de carnaval. As estratégias envolveram cupons, presença em blocos de rua e ações de marketing em camarotes e festas fechadas.
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São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador foram as cidades que concentraram as ações de marketing das empresas do segmento, que ganhou novos players no último ano. São também capitais com um Carnaval de rua consolidado, responsável por atrair milhares de foliões de dentro e de fora do país. Além disso, contam com estrutura já consolidada de restaurantes e entregadores.
“As marcas devem avaliar os prós e contras e se aquele território é o melhor para atingir o objetivo e o público esperado”, comenta a pesquisadora Regina de Camargo Barros, especialista em estratégia e professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
iFood e 99Food apostam em grandes nomes
Líder do segmento de delivery no país, o iFood apareceu como um dos patrocinadores nos carnavais de rua de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. Nestes territórios, vinculou sua marca sobretudo a nomes de artistas consagrados como Daniela Mercury (no Bloco Crocodilo e no Pipoca da Rainha), Léo Santana (no Bloco do Nana, Bloco Vem com o Gigante e Bloco da Gold), Baiana System (Navio Pirata) e Mariana Aydar (Bloco Forrozin). O cantor Leo Santana foi embaixador oficial da marca.
“Estar presente nos Carnavais das cidades de São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro reforça nosso engajamento com o país e também nos aproxima ainda mais dos milhões de brasileiros que nos escolhem para consumir, vender ou entregar”, afirma a CMO do iFood, Ana Gabriela Lopes.
A 99Food adotou uma estratégia similar, assinando blocos com a cantora Ivete Sangalo no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em ambos, trouxe participações especiais de Pabllo Vittar e Pedro Sampaio. Também fez ações na Sapucaí, com distribuição de brindes aos foliões feita pela musa carnavalesca Sabrina Sato.
A chinesa também patrocinou as transmissões de televisão feitas pela Globeleza e Band Folia. Segundo a diretora sênior de marketing da empresa, Ana Verroni, a empresa explora assim “as várias situações de uso do aplicativo, seja com lanches para quem prefere curtir do sofá assistindo ao desfile das escolas de samba ou para quem vai curtir os blocos e procura praticidade”.
Keeta busca blocos tradicionais e distribui cupons
Outra novata, por ora com operação apenas em São Paulo e na baixada santista, a Keeta adotou uma estratégia mais econômica. A empresa vinculou sua marca a blocos já tradicionais na capital paulista e desvinculados de grandes artistas. Bloco Emo, Casa Comigo, LuaVai, MinhoQueens e Bloco 89FM foram patrocinados pela empresa.
Na busca por convencer pessoas a baixarem o aplicativo, a empresa também exibiu anúncios pela cidade sobre valores de até R$ 200 em cupons para novos clientes. Até o dia 22 de janeiro, dará também cupons para quem sacudir o celular com o aplicativo aberto, em uma promoção em formato de jogo batizada como “Sacudiu Ganhou”. Também distribuiu nos blocos leques e tatuagens que viram cupons.
“Criamos uma campanha que vai além da comunicação tradicional e transforma o benefício em experiência, colocando o consumidor no centro da festa”, afirma Rodrigo Farah, diretor de marketing da Keeta. “Nossa estreia no Carnaval reforça a estratégia de nos inserirmos nos grandes momentos culturais da cidade, conectando tecnologia, conveniência e entretenimento.”
Guerra do delivery
As chinesas Keeta e 99Food anunciaram a entrada no mercado brasileiro no primeiro semestre de 2025, com poucas semanas de diferença. As empresas buscam se consolidar em um mercado com liderança absoluta da brasileira iFood.
Pesquisa feita pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que 76% dos brasileiros fazem pedidos de comida por aplicativos.
O mesmo estudo, realizado antes da chegada das chinesas ao país, mostrava que o iFood concentrava 82% dos pedidos. A empresa conta também com o maior investimento anunciado para os próximos anos: enquanto 99Food e Keeta chegaram ao país com planos de R$ 2 bi e R$ 5,6 bi respectivamente, o iFood planejava R$ 17 bilhões apenas até março de 2026.
