07/01/2015 - 17:56
No 50º aniversário de sua primeira incursão armada, a guerrilha colombiana do Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou, nesta quarta-feira, a disposição de dialogar com o governo e a uma eventual deposição das armas para por fim ao conflito com o Estado.
Em um vídeo publicado no Twitter, o ELN prometeu revelar, ainda nesta quarta, “uma informação importante para a paz da Colômbia”, em sua rede, ranpal.net.
O grupo rebelde, que em 7 de janeiro de 1965 proclamou sua existência no Manifesto de Simacota, após o primeiro ataque a este povoado do nordeste da Colômbia, região de levantes iniciais contra a colônia espanhola no século XVIII, antecipa há meses conversações preliminares com o governo de Juan Manuel Santos.
Estas aproximações, simultâneas ao processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, comunistas), que o governo celebra há dois anos em Cuba, foram anunciadas pelas duas partes em junho passado.
Santos convidou na segunda-feira o ELN a seguir os passos das Farc, a principal guerrilha colombiana.
“O anúncio (do ELN) tem que ser relacionado a algum gesto de paz”, disse à AFP o cientista político Alejo Vargas, diretor do Grupo Pesquisador de Segurança e Defesa da Universidade Nacional.
Segundo o especialista, o grupo poderia estar a fim de “acelerar a fase exploratória” com o governo para chegar a acordos que permitam instaurar uma mesa de negociações.
Um diplomata latino-americano, vinculado a estas conversas preliminares, disse à AFP que a última reunião formal entre o governo da Colômbia e o ELN foi em Otavalo, no Equador, na última semana de agosto passado. “Ali não se chegou a um acordo sobre a agenda a abordar, em particular, o tema da democracia na Colômbia”, indicou.
Em dezembro, o Congresso colombiano se declarou “preocupado” com a falta de instalação de uma mesa de diálogo com o ELN.
Ao anunciar a disposição de conversar com o governo no vídeo publicado na conta no Twitter @ELN_Colombia, “Gabino”, o máximo dirigente desta guerrilha guevarista, confirmou o desejo de buscar uma saída negociada para o confronto com o Estado.
“Há mais de 50 anos, nos levantamos em armas porque entendemos que as vias legais estavam fechadas para as lutas do povo; e assim ainda o consideramos”, disse o comandante “Gabino”, cujo nome verdadeiro é Nicolás Rodríguez.
No entanto, ele se mostrou aberto a sentar-se em uma mesa de diálogo com as autoridades colombianas.
“O governo tem colocado sua disposição de por um fim ao conflito armado e, para isso, convocou a insurgência. Assistimos a este diálogo para examinar a vontade real do governo e do Estado colombiano; se neste exame concluímos que não são necessárias as armas, teríamos a disposição de considerar se deixaremos de usá-las”, disse.
E reforçou: “o governo de Santos tem a alternativa de persistir em sua política de guerra e pacificação ou se atrever em um verdadeiro caminho de paz, desejado por todos os colombianos”.
O comunicado, lido “nas montanhas da Colômbia”, é assinado pelo V Congresso do ELN e termina com o chamado “Colômbia para os trabalhadores! Nem um passo atrás, libertação ou morte!”.
O guevarista ELN, surgido em 4 de julho de 1964, inspirado na Revolução Cubana e na Teologia da Libertação, tem 2.500 combatentes, segundo cifras oficiais, embora fontes próximas da guerrilha deem conta de um número muito maior, pois afirmam que há muitos militantes não vinculados diretamente à luta armada.
O conflito armado colombiano, o mais antigo do continente e no qual se enfrentam guerrilhas de esquerda, paramilitares de direita, forças militares e quadrilhas de narcotraficantes, deixou oficialmente 220.000 mortos e mais de 5,3 milhões de deslocados em mais de meio século.
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