Se alguém quiser saber o que se passa na cabeça de Lula em relação à economia é bom prestar atenção às palavras que saem da boca de Guido Mantega. Há exatos 10 anos, esse genovês de 53 anos é assessor pessoal para assuntos econômicos do recém-eleito presidente da República. Mantega participou ativamente de todas as campanhas presidenciais do chefe. Em 1989, quando o PT esteve próximo do Palácio do Planalto, ele integrou uma espécie de equipe de transição convidada pelo então presidente José Sarney para se inteirar do que ocorria nos prédios da Esplanada dos Ministérios. Na ocasião, Mantega foi responsável pelo orçamento federal, sua área de especialização ? e isso pode ser uma boa pista a respeito de seu futuro no governo Lula. Mantega possui inclusive experiência comprovada no assunto. Durante o mandato de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo, entre 1988 e 1992, foi o diretor de orçamento da Secretaria de Planejamento do município.

Mantega desembarcou em São Paulo com pouco mais de dois anos de idade. Seu pai, um ex-militar do exército italiano, juntou suas economias, embarcou para o Brasil com a família e se tornou um pequeno empresário por aqui. O sucesso nos negócios permitiu dar uma boa formação para os filhos. Mantega formou-se em Economia e Ciências Sociais, ambas pela USP. No início dos anos 70, foi convidado pelo Cebrape para fazer mestrado sob a coordenação de um dos mais ilustres nomes da entidade, Fernando Henrique Cardoso. A tese defendida, A Economia Política Brasileira, virou livro depois de receber nota 10 da banca examinadora, formada por Paul Singer, Luiz Carlos Bresser Pereira e pelo próprio FHC. ?Ele não pode dizer que não concorda com minhas idéias?, brinca Mantega. Nunca mais largou a vida acadêmica. Hoje é professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, atividade que divide com a assessoria econômica a Lula. Como todos integrantes do círculo próximo ao novo presidente, Mantega desconversa sobre seu papel no governo. ?Eu gostaria de ir para a embaixada brasileira em Roma?, diverte-se. Avisado de que será um cargo disputado, ele se conforma. ?Pode ser a de Paris, então.?