Hackers assumiram nesta quarta-feira a autoria dos ataques contra os sites da Mastercard e do banco suíço Postfinance, numa aparente represália contra o movimento para sufocar financeiramente o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange.

O WikiLeaks provocou a ira de governos no mundo inteiro ao divulgar milhares de documentos confidenciais de embaixadas americanas, fornecendo detalhes constrangedores dos bastidores da relação entre os países.

Depois que o site começou a pedir doações on-line para continuar suas atividades, as operadoras de cartão de crédito Mastercard e Visa anunciaram a suspensão dos pagamentos feitos ao WikiLeakes.

Um grupo de hackers que se apresenta como Anon_Operation disse ter derrubado o site da Mastercard, mas a empresa se negou a comentar o assunto.

O grupo alega estar lutando pela “liberdade na internet” e contra a censura, e afirma que o site mastercard.com é seu “atual alvo”.

O PostFinance, braço bancário do correio suíço, confirmou nesta quarta-feira que seu site vinha sofrendo “ataques de negação de serviço” desde que encerrou a conta de Assange, na segunda-feira.

“Desde o fechamento da conta (de Julian Assange), vários grupos lançaram a operação ‘Payback’ com o objetivo de bloquear o Postfinance, simulando centenas de milhares de conexões com o site para sobrecarregá-lo”, indicou um porta-voz da instituição financeira.

Um dia depois da prisão de Assange, que se entregou à polícia britânica na terça-feira e teve o pagamento de fiança negado nesta quarta, um dos mais respeitados advogados britânicos anunciou que entrará na briga para extraditá-lo para a Suécia, onde ele é acusado de estupro e abuso sexual.

O filho de Assange, de 20 anos, disse que a prisão de seu pai no Reino Unido não é “um passo para sua extradição para os Estados Unidos”.

As autoridades suecas e americanas, no entanto, não entraram em contato sobre uma eventual extradição do fundador do WikiLeaks, informou o ministro sueco das Relações Exteriores, Carl Bildt.

“A resposta é não”, disse Carl Bildt ao ser questionado pela AFP sobre contatos entre Suécia e Estados Unidos a respeito de uma eventual extradição aos Estados Unidos de Julian Assange se este for entregue à justiça sueca.

Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores australiano, Kevin Rudd, prometeu que Assange receberá assistência consular da Austrália.

“Confirmamos e daremos apoio consular, assim como fazemos para qualquer cidadão australiano”, disse Rudd, um dia depois da primeira-ministra Julia Gillard declarar que a publicação dos documentos secretos pelo WikiLeaks foi “gravemente irresponsável”.

“Já vamos proporcionar uma carta indicando a ele que estamos preparando visitas consulares e qualquer outro tipo de apoio consular ligado a seu bem-estar e a seus direitos legais”, disse Rudd em entrevista a uma rede de televisão.

Pouco antes de se entregar, Assange escreveu um artigo no qual critica o governo australiano por não ter oferecido ajuda.

“Os australianos devem observar sem orgulho a vergonhosa complacência da primeira-ministra Julia Gillard e de seu governo”, atacou Assange.

“Os poderes do governo australiano parecem plenamente à disposição dos Estados Unidos tanto como para cancelar meu passaporte australiano, quanto para espionar ou perseguir aqueles que sustentam o WikiLeaks”, acrescentou.

Já o advogado das duas suecas que processam Assange afirmou que acusações de agressão sexual contra ele nada têm a ver com o WikiLeaks.

“Não existe qualquer ligação entre essas duas mulheres e o WikiLeaks, a CIA, ou a administração americana”, declarou Claes Borgstroem.

“O caso não tem nada a ver com o WikiLeaks. Eu gostaria que Julian Assange dissesse isso ele mesmo”, acrescentou o advogando à imprensa em Estocolmo.

“Seria uma maneira de acabar de vez com todos esses boatos”, afirmou ainda.

Borgstroem criticou o australiano de 39 anos por ficar dando a entender que todo esse caso não passa de uma conspiração.

“Ele sabe que isso não tem nada a ver com o WikiLeaks”, insistiu.

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