20/03/2026 - 13:55
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad disse nesta sexta-feira, primeiro dia após deixar o cargo, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não fez convites para os cargos vagos na diretoria do Banco Central e que ele desconhece os critérios que vão guiar as escolhas.
Haddad, que deixou a Fazenda para se lançar pré-candidato ao governo de São Paulo na eleição de outubro, disse em fevereiro ter sugerido a Lula os nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para assumirem as duas diretorias do BC que estão vagas — de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro.
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Em coletiva de imprensa nesta sexta, Haddad disse que o presidente apenas pediu recomendações “como sempre”. Questionado se ainda apoiava os nomes, Haddad disse que a pergunta insinuava uma campanha interna junto a Lula, o que não corresponde a como o processo funciona.
“Ele pede sugestões, você oferece e encerra-se ali”, disse Haddad.
Cavalcanti é membro do Trinity College da Universidade de Cambridge e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Já Guilherme Mello é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Os nomes geraram críticas no mercado, com investidores citando preocupações com as ligações de Mello com o PT e sua falta de experiência em atuação no mercado.
A demora de Lula em nomear os substitutos, cujas vagas estão em aberto desde janeiro, contrasta com suas repetidas reclamações de que a lei de autonomia do BC, de 2021, lhe deixou pouca influência sobre uma diretoria escolhida inicialmente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fontes familiarizadas com o assunto disseram que as vagas podem permanecer em aberto por meses diante de um clima difícil para o governo no Senado, sendo improvável que as audiências de confirmação na Casa avancem até que a Polícia Federal conclua sua investigação sobre o Banco Master.
Diesel
Haddad também disse que a proposta feita pelo governo aos governos estaduais de isenção do ICMS sobre a importação do diesel, com a União devolvendo metade do valor aos entes, é boa para todos. Os Estados ainda não decidiram se aceitam a proposta, mas Haddad afirmou que o Piauí já teria se manifestado favoravelmente.
Haddad nega sacrifício por candidatura em São Paulo
O ex-ministro rebateu, na quinta-feira, dia 19, críticas que está recebendo e negou estar fazendo um sacrifício ao ser candidato para o governo de São Paulo. “Quando eu vejo notícia de que eu estou indo para o sacrifício, eu digo, essa pessoa ainda não sentou comigo para tomar um chopp. Porque se ela me conhecesse, ela jamais diria isso”, disse.
Haddad deve tirar um período de férias e cuidará da campanha apenas a partir de abril, quando se encerra a janela de transferência partidária. Após esse prazo, o petista deverá articular a formação da chapa, como o nome do vice e quem disputará a segunda vaga ao Senado. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, são os cotados do momento para ambos os cargos.
