Hélio Magalhães está fechando o ciclo mais desafiador de sua carreira ? cinco anos na Amex Brasil. Chegou em 10 de setembro de 2001, vindo de uma temporada de cinco anos no Citibank, em Miami. Mudou-se para São Paulo no fim de semana anterior ao maior ato terrorista da história. Um ataque com epicentro a poucos metros de distância do coração da American Express, em Manhattan. Ao desabar, no fatídico 11 de setembro, a segunda torre do WTC bateu no World Financial Center, sede do Quartel General da Amex. A multinacional de cartões perdeu 12 funcionários no ato. Sofreu o impacto financeiro do quase colapso da indústria global de viagens. E viu-se obrigada a buscar, da noite para o dia, um local temporário para 5 mil funcionários trabalharem. Recém-sentado na cadeira de presidente da American Express brasileira, Magalhães viu-se impedido de viajar naqueles dias de pânico envolvendo o transporte aéreo. ?Eu não conhecia ninguém na companhia. Passei a ter prioridade zero no meio do caos?, lembra o executivo. De lá para cá, a poeira assentou, Magalhães virou a Amex Brasil de cabeça para cima e entregou as chaves nas mãos do Bradesco, que assumiu as operações locais da grife americana de cartões mediante pagamento de meio bilhão de dólares. Com essa tarefa concluída, Magalhães está pronto para outra. Ocupará a partir de 1o de novembro a presidência da American Express no México. ?Das alternativas que me foram oferecidas, esta é a mais instigante. Uma missão bem diferente da que cumpri aqui.?

Há cinco anos, a missão era vir para o Brasil e definir uma estratégia para a American Express, que claudicava no País. O mercado de cartões acelerava rumo a um boom, e a matriz queria a Amex numa posição compatível com sua marca. A companhia vinha de uma estratégia agressiva de vendas, que implicava baixar a faixa de renda do público alvo para ganhar escala. Mas o tiro saíra pela culatra, e a mais sofisticada bandeira de cartões sofria uma onda de cancelamentos por parte de uma clientela que não abre mão da exclusividade. Sob Magalhães, o foco voltou ao público afluente. Investiu-se na ampliação da rede de estabelecimentos credenciados. E num programa de aprimoramento dos serviços. Ele próprio costumava reservar as manhãs de quintas-feiras para conversar com usuários descontentes.

Os resultados começaram a surgir em 2004. ?Foi um ano espetacular. Tivemos crescimento de 28% no volume financeiro?, lembra o executivo. ?E praticamente repetimos a dose no ano passado.? Foi quando veio a proposta do Bradesco: a Amex abriria mão do controle de suas operações no Brasil em favor de um operador independente (o próprio banco) com contrato de exclusividade por 10 anos. ?Foi assim que tudo começou?, diz Magalhães. ?Nunca houve intenção de vender a operação brasileira. Nunca houve leilão?, esclarece.

O Bradesco assinou o cheque de US$ 490 milhões em março e iniciou a absorção da American Express em julho. Magalhães trabalhou na transição até que a inevitável pergunta chegou de Nova York: ?Você quer continuar conosco??. Dentre as alternativas que lhe foram apresentadas, escolheu dirigir a Amex no México. A proximidade com os Estados Unidos ajuda, já que seus dois filhos moram lá. Mas o que realmente importa é que o México é, para a Amex, o maior negócio fora do território americano. Lá, sua bandeira é líder de mercado. Por isso o desafio é diferente. O homem que levou a Amex de volta à primeira divisão brasileira tem agora a missão de mantê-la no topo da superliga mexicana.