Hillary Clinton pediu desculpas na noite de terça-feira por utilizar seu e-mail pessoal e um servidor privado para assuntos oficiais quando era secretária de Estado, admitindo que errou ao tomar esta decisão.

A pré-candidata democrata à presidência, que vê seu apoio minado pelo caso, vinha subestimando a polêmica até recentemente.

O caso teve um forte impacto na popularidade de Clinton, tendo em vista que as intenções de voto para a pré-candidata caíram de 51 para 41% (as mais baixas desde 1992), segundo a última pesquisa realizada na última sexta-feira pela colsultora Gallup.

Em entrevista ao “World News Tonight”, da ABC, Hillary assumiu a responsabilidade total pelo episódio e lamentou sua decisão. “Foi um erro. Sinto e assumo a responsabilidade”.

Na semana passada, em entrevista à rede MSNBC, Hillary havia lamentado “que este tema tenha confundido as pessoas e provocado tantas perguntas”, mas se disse “convencida de que no decorrer da campanha as pessoas entenderão que o que eu disse é certo”.

Milhares de e-mails foram enviados ou recebidos em um endereço e servidor privados quando Hillary Clinton comandava o departamento de Estado (2009-2013), incluindo comunicações com funcionários, autoridades e outras pessoas.

Hillary Clinton acusa o inimigos políticos de fabricarem a polêmica a respeito de seus e-mails, em um esforço para prejudicar suas possibilidades de chegar à presidência.

A ex-secretária de Estado será ouvida no dia 22 de outubro por uma comissão parlamentar que investiga o ataque em 2012 contra o consulado americano em Benghazi, no qual morreram o embaixador Christopher Stevens e três agentes.

Porém, Clinton afirmou que conseguirá enfrentar o problema: “Posso sobreviver a isso porque acredito que estou me candidatando à presidência para fazer o que o país necessita”.

Não entanto, o assunto está longe de terminar, pois o departamento de Estado, ao qual Hillary entregou mais de 30 mil mensagens no final de 2014, ainda as está publicando por partes.

Muitos delas contêm informações que foram posteriormente descritas como classificados, o que cria interrogações sobre as medidas de segurança destinadas a proteger de hackers o servidor de Clinton.

Os republicanos questionaram a decisão de Clinton, assinalando a potencial natureza criminosa de um mau manejo de informações confidenciais através de um servidor privado.

Clinton afirmou que durante sua gestão à frente da diplomacia americana “não enviou nem recebeu nenhuma informação tida como confidencial.

Acrescentou que todos com quem manteve contato via e-mail, incluindo pessoal na Casa Branca e, portanto, do departamento de Estado, sabiam que ela estava usando uma conta pessoal.

“Aparecia no meu endereço”, assinalou.

A Agência Federal de Investigação americana (FBI) está examinando o servidor para averiguar se a decisão de Clinton comprometeu segredos governamentais.

No entanto, após a publicação da entrevista com a ABC, Clinton reiterou suas desculpas em um e-mail enviado a seus seguidores no fim da última terça-feira.

“Enquanto corre este processo, quero continuar o mais transparente possível”, assegurou a mensagem.

Em meio ao crescente mal estar pelo emails de Clinton, o vice-presidente Joe Biden começou a falar publicamente sobre a possibilidade de se lançar como candidato à Casa Branca.

Ao ser questionada pela ABC, Clinton considerou que Biden seria um bom líder, e deu apoio ao homem com quem trabalhou de forma próxima durante o primeiro mandato de Obama.

“Creio que ele poderia ser um bom presidente, disso não tenho nenhuma dúvida”, assegurou.

Segundo a última pesquisa da Universidade de Monmouth, divulgada na terça, Clinton recebe 42% das adesões dentro do campo democrata contra 52% no mês passado.

Biden, enquanto isso, consegue 22%, um aumento de 10 pontos percentuais em relação à medição de agosto.

Quando perguntada sobre o favorito do Partido Republicano, o magnata do setor imobiliário Donald Trump, que tem feito um discurso polêmico, Clinton se mostrou muito menos benévola.

“Trump não ensinará a fazer nada”, afirmou, completando que os americanos “precisam de um líder que se preocupe com eles”.

“É isso que eu pretendo fazer”, enfatizou.