31/07/2002 - 7:00
Os participantes da próxima Comdex Brasil, a feira anual de empresas de tecnologia para o setor corporativo, irão conhecer uma história muito interessante. É um episódio formidável de companhia de sucesso na década de 80 que quase fechou nos anos 90 e que, nos últimos três anos, está sendo reinventada. Quem desembarca aqui no final de agosto para relatar esses fatos é um integrante da equipe do executivo Dale Fuller, que comanda um negócio que há dois anos e meio está no lucro e tem US$ 300 milhões em caixa. Fuller gostaria de contar pessoalmente sua história, mas ele ainda acha cedo sair do escritório da empresa que nos anos 80 teve um prestígio similar ao da Microsoft hoje no mercado de tecnologia: a Borland. ?O Brasil é um mercado-chave para nosso crescimento na América Latina. Em breve, gostaria de fazer uma visita ao país?, disse Fuller em entrevista exclusiva à DINHEIRO, do seu escritório em Scotts Valley, na Califórnia. Ex-executivo da Apple Computers, que tem como hábito vestir roupas pretas, Fuller está se tornando uma atração entre os executivos de companhias do seu setor. Pelos méritos de recuperar a Borland e também pela forma co -mo conseguiu fazê-lo.
Fundada em 1983, a Borland conheceu a glória, entrou em declínio e em 1999 estava na pior situação. Tinha um caixa com US$ 45 milhões e uma despesa anual de US$ 20 milhões. Foi quando os acionistas fizeram uma última tentativa e trouxeram Fuller. O seu primeiro ato se mostrou salvador para a companhia. Fuller pediu um encontro com os advogados da Microsoft, na época sob a acusação de monopólio no processo movido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O executivo foi direto ao assunto. Ele queria direitos autorais por partes da tecnologia da Borland que estavam sendo utilizados em produtos da Microsoft. Algo muito comum na indústria de tecnologia, mas que não gera disputas em função de um acordo de cavalheiros entre as empresas. No caso da Borland não havia como seguir a tradição. ?Dei duas opções à Microsoft?, afirmou Fuller. A mais dura seria um processo. A outra um acordo. Para não ir aos tribunais, a Borland exigia US$ 100 milhões. Com medo de uma disputa nos tribunais, os advogados aceitaram a proposta. Já que estava na casa do adversário, Fuller ofereceu à Microsoft 10% das ações da sua companhia por US$ 25 milhões. Saiu com US$ 125 milhões, dinheiro suficiente para dar fôlego a sua política de reestruturação. ?Não havia outra saída para a nossa empresa?, afirmou Fuller. Nos primeiros meses da gestão do atual presidente, 400 dos 1.100 funcionários deixaram a empresa. Novos produtos foram desenvolvidos. Mas, desta vez, nada de enfrentar a Microsoft de frente, um erro cometido no passado. As novas ferramentas atendem a todos os softwares à venda no mercado. ?A Borland tem a tradição ao seu lado?, disse à DINHEIRO Rob Hailstone, analista americano do International Data Corporation, que faz análises sobre o setor de tecnologia. ?Eles foram tão importantes para a indústria de tecnologia quanto a Microsoft é hoje?, afirma Nilton Guedes, diretor de produtos da Sun Microsystems. E a volta por cima é mérito do homem de preto.