20/08/2015 - 18:55
A missão da ONU na República Centro-Africana foi abalada por 13 casos de suposto abuso sexual por membros de suas forças de paz, inclusive nove que atingem vítimas de 11 anos, afirmou um oficial nesta quinta-feira.
“O grande aumento de casos relatados nos últimos três meses é preocupante”, afirmou Diane Corner, vice-chefe na missão da ONU no país, a Minusca.
Da capital, Bangui, Corner informou à imprensa por videoconferência que supostas vítimas nos nove casos envolvendo menores tem “diversas idades. A mais nova tem 11 anos”.
A força de 12.000 soldados da Minusca, que assumiu o controle após uma missão da União Africana aproximadamente há um ano, tem sido alvo de várias acusações de estupro e outros crimes praticados por seus membros.
Isto levou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a demitir na semana passada o chefe da missão, Babacar Gaye do Senegal, declarando que “já chega”.
Três novos casos de estupro, supostamente cometidos por soldados da Minusca na República Democrática do Congo, vieram à tona nesta semana, e o ministro congolês da Justiça, Alexis Thambwe Mwamba, afirmou nesta quinta-feira que havia ordenado ação legal.
Dos 13 casos, um de dezembro de 2014 foi encerrado após os investigadores concluírem que as alegações eram infundadas.
Mas as alegações nos outros 12 casos continuam sob investigação pelo país que contribuiu com os soldados acusados ou em conjunto com as Nações Unidas.
“Até onde estamos cientes, ainda não houve nenhuma condenação”, afirmou Corner.
O Marrocos e o Burundi estão investigando acusações de abusos sexuais cometidos por seus soldados na Minusca que surgiram em junho, afirmaram funcionários da ONU.
Sob as regras da ONU, cabe aos Estados-membro investigar e condenar seus soldados que sofrerem acusações de má conduta enquanto servirem sob a bandeira das Nações Unidas.
Ban afirmou em uma reunião especial do Conselho de Segurança, na semana passada, que muitos países são lentos para responder às acusações contra seus soldados e que em alguns casos nem mesmo respondem.
O chefe da ONU denunciou o abuso sexual nas missões de paz da organização “como um câncer em nosso sistema” e prometeu nomear e envergonhar os países que falharem em tomar medidas.
Em junho, Ban nomeou um painel de avaliação liderado pela ex-ministra canadense da Suprema Corte de Justiça, Marie Deschamps, para analisar a forma como a ONU trata separadamente as alegações de que tropas francesas e africanas abusaram sexualmente crianças na República Centro-Africana que começaram no final de 2013.
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