Dias atrás, a Lopes, maior corretora de imóveis do País, concluiu sua abertura de capital na Bovespa. Captou R$ 400 milhões. Na mesma semana, a Patrimóvel, outra gigante do setor, vendeu parte do controle para o fundo Gulfinvest por R$ 40 milhões. Antes delas, construtoras como Cyrela e Gafisa também foram ao mercado acionário e levantaram bilhões. Tudo isso revela que as empresas do ramo imobiliário estão ? literalmente ? nadando em dinheiro. ?De fato, nunca houve tantos recursos como agora?, comemora Romeu Chap Chap, presidente do Secovi, o sindicato das imobiliárias, em São Paulo. Sua aposta é que o setor irá crescer 20% em 2007. Por trás desse otimismo, há também cenário macroeconômico favorável, com juros em queda, confiança do consumidor em alta e ampliação do crédito. ?Essas três condições facilitaram a compra da casa própria, que agora tem prestações fixas e previsíveis?, aponta Eduardo Zaidan, diretor de economia do Sinduscon, o sindicato das construtoras.

Nessa maré favorável, os bancos têm expandido fortemente suas operações imobiliárias. Um bom exemplo é o do Banco Real, cuja carteira saltou de R$ 250 milhões para R$ 1,4 bilhão entre 2003 e 2006 ? nada menos que 460%. ?Isso se deve a um marco regulatório melhor e a leis de garantia mais sólidas?, afirma Hus Morgan, superintendente de crédito imobiliário do Real. Hoje, em caso de inadimplência, os bancos têm como recuperar mais rapidamente os bens financiados, em operações como o leasing imobiliário. Morgan estima que o Brasil movimentou R$ 5 bilhões em novos contratos imobiliários neste ano. ?Vejo o mercado crescendo 20% a 25% ao ano, sem nada no horizonte que indique uma freada?, diz ele. Manter esse ritmo é fundamental para que o País consiga reduzir seu déficit habitacional, estimado em 7,8 milhões de moradias.

Neste ano, o setor de construção civil registrará crescimento de 5% com criação de mais de 100 mil novos empregos. Com a expansão prevista para 2007, o setor pode garantir 1 ponto a mais de crescimento no PIB. Em parte, isso decorre de medidas do governo federal, como a eliminação do IPI de 13 produtos da ?cesta básica? da construção e a injeção de R$ 18,7 bilhões no setor em recursos oficiais. O maior impulso, porém, veio do Banco Central, que exterminou a inflação. Agora, o que os empresários defendem é um reforço no pacote anterior, com medidas de apoio à habitação popular. ?Esse setor ainda não viu a cor do boom imobiliário?, diz Gilmar Lima, diretor da MVC, uma empresa do grupo Marcopolo que desenvolveu um modelo de casas pré-fabricadas já exportado para Angola e Venezuela. ?Agora é a nossa vez.?