04/05/2026 - 19:50
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou um novo mapa-múndi invertido, trazendo o Brasil no centro do mundo e com o Sul no topo da imagem. A iniciativa faz parte das comemorações de 90 anos do instituto. Veja a imagem aqui.
Em 2025, o IBGE apresentou a imagem invertida porque o Brasil tinha voz ativa nos debates e perspectivas do Sul Global e do cenário mundial, em especial por presidir o BRICS e o Mercosul e receber a COP 30.
+ Em 2025, IBGE lança mapa-múndi invertido com o Sul no topo do mundo; saiba como adquirir
Este ano, a perspectiva é a mesma, mas a razão é outra. O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, disse que aos 90 anos, o IBGE transforma a cartografia em afirmação política e civilizatória, pois coloca o Brasil no centro, inverte o eixo Norte–Sul e revela os continentes em proporções reais.
“Por isso, o novo mapa-múndi desafia séculos de visão eurocêntrica e reposiciona o Sul Global no centro do debate sobre biodiversidade, poder e futuro do planeta”, afirma Pochmann. A imagem do mapa invertido está à vena no site do IBGE.
Em termos de representação cartográfica, o mapa traz o Brasil centralizado, como representação de sua importância no atual contexto social e político; apresenta a tradicional orientação Norte–Sul invertida, como lembrança de que existem diferentes formas de visualizar o mundo; e incorpora a novidade da projeção cartográfica Equal Earth.

Continentes em proporções reais
A projeção Equal Earth é uma projeção moderna, que segue a curvatura da Terra e representa os continentes em proporções reais. Foi criada, em 2018, por Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny, com o objetivo principal de oferecer um mapa-múndi que não distorcesse as formas e mantivesse a equivalência das áreas das massas de terra, ou seja, que fosse visualmente agradável e mais realista.
A projeção busca promover uma visão mais justa e “descolonizada” do mundo, corrigindo o viés eurocêntrico presente em mapas tradicionais e servindo como uma ferramenta educacional e de representação mais equilibrada.
A projeção de Mercator, a mais comumente utilizada, foi criada no século XVI pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator. Seu objetivo era auxiliar navegadores europeus, permitindo o traçado de rotas em linha reta em mapas planos, mantendo um ângulo constante de bússola, o que facilitava o deslocamento em longas distâncias.
No entanto, essa projeção distorce as massas continentais, ampliando regiões próximas aos polos – como a América do Norte e a Groenlândia – e reduzindo a África e a América do Sul.
Na projeção de Mercator, a Groenlândia e a África parecem ter aproximadamente o mesmo tamanho. Já na projeção Equal Earth, que apresenta os continentes em suas proporções reais, seria possível encaixar 14 Groenlândias dentro do continente africano.
O mapa invertido está errado?
A convenção cartográfica do Norte para cima e do Leste para a direita foi estabelecida pelo astrônomo Ptolomeu e foi amplamente adotada por outros cartógrafos. No entanto, não existe uma razão técnica para colocar os pontos cardeais nas direções convencionais.
Segundo a geógrafa Nicole De Armendi, a orientação dos mapas “afirma posições de poder, traça certas redes globais e estabelece relações hierárquicas entre as nações e os continentes”.
A cerimônia de comemoração pelos 90 anos do IBGE marca o lançamento das publicações “Brasil em Números – 2025” e “IBGE pelo Mundo”, além do novo mapa-múndi, que mostra a riqueza de espécies e a representação dos continentes em proporções reais.