26/10/2026 - 14:48
O Ibovespa chegou a cair mais de 17% e ficou abaixo dos 170 mil pontos nesta segunda-feira (26), após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A intensidade da queda ampliou a divergência entre analistas sobre a duração do ajuste e as oportunidades no mercado brasileiro.
Bancos projetam pressão adicional sobre os ativos. Parte dos gestores considera que a desvalorização pode abrir espaço para investimentos de longo prazo, dependendo da evolução dos juros e da política fiscal.
Projeção de 170 mil pontos depende do cenário econômico
O BTG Pactual estima que o Ibovespa possa recuar para aproximadamente 170 mil pontos, uma queda próxima de 17% em relação ao nível anterior ao resultado eleitoral.
A referência integra um cenário de revisão dos preços dos ativos. O relatório associa a trajetória da Bolsa à escolha da equipe econômica e à apresentação de medidas fiscais consideradas críveis pelos investidores.
O banco projeta desvalorização de 10% a 15% do real. Combinado à queda das ações, esse movimento poderia levar as perdas da Bolsa, medidas em dólar, para perto de 30%.
Nas avaliações anteriores ao segundo turno, o JPMorgan havia considerado uma correção próxima de 20% frente aos níveis da última sexta-feira. O Morgan Stanley trabalha com perdas entre 20% e 30% caso aumente o prêmio exigido pelos investidores para financiar a dívida pública.
Política fiscal e juros orientam expectativas para a Bolsa
Na avaliação dos estrategistas, a valorização das semanas anteriores refletia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de maior ajuste das contas públicas. A confirmação de Lula levou à revisão dessas posições, pressionando os ativos brasileiros.
O BTG considera que a combinação de real mais fraco e expectativas de inflação pressionadas pode limitar a velocidade dos cortes da Selic. Dúvidas sobre a trajetória fiscal reforçariam a elevação dos juros de longo prazo.
Esse ambiente tende a afetar principalmente empresas dependentes do crédito e da atividade doméstica, como varejistas e construtoras.
Gestores veem possíveis oportunidades após a queda
Rohan Daswani, da Gavekal Research, avalia que uma correção intensa deve ser examinada como possível oportunidade de compra para investidores com horizonte longo.
Para o estrategista, permanecem argumentos estruturais favoráveis ao Brasil, incluindo a exposição a commodities e a importância do país na produção de minerais críticos. Os juros reais elevados integram essa avaliação.
Daswani considera que o perfil conservador do Congresso tende a limitar mudanças mais radicais na política econômica.
Cathy Hepworth, responsável por dívida de mercados emergentes na PGIM, espera uma reprecificação significativa, mas pondera que o mercado brasileiro historicamente encontra pontos de estabilização após choques políticos.
Já Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management, afirma que reações emocionais podem ampliar os movimentos de queda para além do que seria justificado pelos fundamentos.
Ações destacadas pelo BTG para o cenário
Entre as empresas com exposição ao mercado externo, o BTG cita Vale, Suzano, Gerdau, PRIO, WEG e Embraer. A expectativa de desvalorização do real pode favorecer o desempenho relativo dessas companhias.
O banco inclui outros nomes que considera mais resistentes ao cenário econômico.
| Empresa | Código na B3 |
|---|---|
| Vale | VALE3 |
| Suzano | SUZB3 |
| Gerdau | GGBR4 |
| PRIO | PRIO3 |
| WEG | WEGE3 |
| Embraer | EMBJ3 |
| Caixa Seguridade | CXSE3 |
| Porto | PSSA3 |
| Ambev | ABEV3 |
| Petrobras | PETR4 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 |
A seleção considera fatores distintos, como receitas em moeda estrangeira, solidez dos balanços e menor sensibilidade à atividade doméstica.
Experiência de 2022 mostra diferenças entre os setores
O estudo do BTG utiliza o período posterior à eleição de 2022 como referência para avaliar o comportamento dos ativos.
Na análise do banco, o desempenho agregado do Ibovespa escondeu diferenças relevantes entre os setores. Empresas ligadas à economia doméstica sofreram maior pressão, enquanto materiais básicos e exportadoras apresentaram desempenho relativo superior.
A comparação reforça a importância da composição das carteiras e da trajetória dos juros na avaliação dos próximos meses.
Circuit breaker interrompeu negociações na B3
A sessão desta segunda-feira teve uma interrupção de 30 minutos por circuit breaker. O mecanismo suspende temporariamente as negociações dos ativos abrangidos pela medida em situações de forte queda.
Pelas regras gerais, uma queda de 10% do Ibovespa provoca suspensão de 30 minutos. Após a reabertura, perdas de 15% levam a uma pausa de uma hora; aos 20%, a B3 define a duração da interrupção. As condições específicas da sessão são comunicadas pela Bolsa.
Para os analistas, a escolha da equipe econômica e os primeiros anúncios fiscais serão determinantes para avaliar a duração da pressão sobre os ativos brasileiros.
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