O Ibovespa fechou em queda de mais de 3% nesta terça-feira, com a aversão a risco desencadeada pela escalada do conflito no Oriente Médio ditando uma forte correção negativa nas ações brasileiras, que vinham de um rali sustentado por estrangeiros.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 3,46%, a 182.763,31 pontos, menor patamar de fechamento desde 5 de fevereiro e maior queda percentual desde 5 de dezembro de 2025, segundo dados preliminares.

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Na mínima do dia, marcou 180.518,33 pontos. Na máxima, 189.602,38 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 46,8 bilhões, bem acima da média diária do ano, de R$ 34,6 bilhões.

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou no quarto dia sem sinais de arrefecimento. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Teerã quer dialogar, mas é tarde demais, e os EUA continuam sua operação militar.

Na véspera, o avanço robusto das ações Petrobras, na esteira do salto do petróleo, blindou o Ibovespa, mas os papéis não sustentaram o fôlego nesta terça-feira, enquanto prevaleceu a aversão ao risco, com receios sobre a inflação também no radar. De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a bolsa refletiu as tensões geopolíticas persistentes ocasionadas pelo conflito entre Israel, o Irã e os Estados Unidos. “Foi uma réplica do mercado exterior.”

Em Nova York, o norte-americano S&P 500 fechou em queda de 0,94%, acompanhando a dinâmica registrada pelos pregões na Europa e nas bolsas asiáticas. A piora externa abriu espaço para ajuste na bolsa paulista após o Ibovespa renovar recordes de fechamento em 13 pregões neste ano, apoiado pelo fluxo de capital estrangeiro, que até a última sexta-feira mostrava um saldo positivo de R$41,7 bilhões no ano.

Mesmo com o declínio nesta terça-feira, o Ibovespa ainda acumula uma valorização de 13,64% em 2026. Na máxima do ano, chegou a superar os 192 mil pontos momentaneamente.

Futuro da Selic

A escalada da Guerra no Irã fez as taxas de juros futuros dispararem nesta terça-feira, 3, em meio à forte aversão global a ativos de risco, com investidores no Brasil elevando as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em apenas 25 pontos-base este mês, e não em 50 pontos-base o que vinha sendo projetado até então.

Com o dólar subindo mais de 2% ante o real, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,9% no fim da tarde, em alta de 21 pontos-base ante o ajuste de 12,69% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,58%, com elevação de 19 pontos-base ante 13,39%.

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC ocorrerá em 17 e 18 de março, daqui duas semanas. A Selic está atualmente em 15% ao ano.