O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira, com o Ibovespa fechando abaixo de 180 mil pontos, pressionado principalmente pelas preocupações relacionadas ao conflito no Oriente Médio, depois que o preço do barril de petróleo superou US$ 100.

Já o dólar à vista fechou com elevação de 1,69%, aos R$ 5,2464, em sintonia com o avanço forte da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. No ano, a divisa acumula agora queda de 4,42% ante o real.

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Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,55%, a 179.284,49 pontos, anulando as altas dos últimos três pregões, após marcar 178.494,99 na mínima e 183.991,88 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$35,46 bilhões.

“A sessão foi marcada por um movimento de aversão ao risco bastante disseminado nos mercados globais, refletindo principalmente a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A queda observada não se restringe ao mercado brasileiro, mas acompanha um movimento mais amplo de correção nas principais bolsas internacionais, à medida que investidores reavaliam riscos diante do agravamento do cenário externo”, afirmou Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos.

Uma bateria de balanços corporativos e teleconferências com empresas também ocupou as atenções dos investidores no mercado brasileiro, assim como o IPCA de fevereiro acima das previsões, além do anúncio pelo governo de medidas para amenizar o efeito da disparada do petróleo nos preços do diesel no país.

Petróleo acima de US$ 100

Os contratos futuros do Brent fecharam a US$ 100,46 por barril, com alta de US$ 8,48, ou 9,2%, depois de atingir a máxima da sessão a US$101,60. O petróleo dos Estados Unidos West Texas Intermediate fechou a US$ 95,70, com alta de US$ 8,48, ou 9,7%. Ambos os contratos se estabeleceram em seu valor mais alto desde agosto de 2022.

Após a repercussão positiva à sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no começo da semana, de que a guerra poderia acabar em breve, a apreensão sobre a duração do conflito e seu efeito no preço do petróleo voltou a prevalecer.

Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em queda de 1,52%.

No Brasil, para amortecer o impacto da alta do petróleo, o governo zerou a cobrança de Pis/Cofins sobre importação e comercialização do diesel e anunciou subvenção ao diesel a produtores e importadores, condicionada a repasse ao consumidor. Também está prevista uma cobrança de imposto sobre a exportação de petróleo.

Poucas horas antes, o IBGE divulgou que o IPCA subiu 0,70% em fevereiro, acima das previsões em pesquisa da Reuters (+0,65%). O dado marcou a taxa mais alta desde fevereiro de 2025. Em 12 meses, o IPCA subiu 3,81%, contra previsão de 3,77%.

Os números ainda não refletem o movimento mais recente das cotações do petróleo, uma vez que os primeiros ataques dos EUA e Israel contra Irã ocorreram em 28 de fevereiro, o que reforça a atenção para a decisão do Banco Central na próxima semana.

No comunicado da sua última reunião de política monetária, no final de janeiro, a autarquia havia indicado o início em março de um ciclo de corte na taxa básica de juros Selic, atualmente em 15% ao ano.