07/05/2026 - 17:37
O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira, marcada pela repercussão de uma série de resultados corporativos, incluindo os números de Axia e Bradesco, que viram suas ações registrarem perdas expressivas. O dólar à vista encerrou com leve alta de 0,05%, aos R$ 4,9230.
A queda do petróleo no mercado internacional, em meio a expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã, também reverberou na B3, minando as ações da Petrobras e de outras petrolíferas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 2,38%, a 183.218,26 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 182.867,75 na mínima e marcando 187.779,31 na máxima do dia.
O volume financeiro no pregão somava R$28,72 bilhões antes dos ajustes finais.
De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a possibilidade de um acordo de paz entre EUA e Irã endossou a correção no petróleo, o que acabou afetando o Ibovespa dado o peso significativo das ações da Petrobras.
“Mas os fundamentos de um possível acordo de paz são muito positivos a médio e longo prazos”, ressaltou, destacando o potencial efeito inflacionário da disparada do petróleo que vinha preocupando investidores no mundo.
Washington e Teerã estão se aproximando de um acordo limitado e temporário para interromper a guerra, disseram fontes e autoridades nesta quinta-feira, alimentando esperanças de que, mesmo que o entendimento seja parcial, possa haver normalização do fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz. O plano interromperia os combates, mas deixaria as questões mais controversas sem solução.
Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 0,38%.
Para o estrategista de investimentos Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, há também um efeito negativo no pregão brasileiro ligado a eventos corporativos domésticos, com papéis como os do Bradesco, que divulgou balanço na véspera, pesando no Ibovespa. Uma nova bateria de resultados de empresas locais é aguardada ainda nesta quinta-feira.
Dólar
O dólar oscilou em margens estreitas e fechou a quinta-feira perto da estabilidade no Brasil, com as cotações reagindo ora positivamente ora negativamente ao noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista encerrou com leve alta de 0,05%, aos R$4,9230. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,31% ante o real.
Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,15% na B3, aos R$4,9450.
“A crescente expectativa de um acordo entre EUA e Irã e o petróleo Brent próximo de US$ 100 ajudaram a reduzir parte das preocupações mais agudas do mercado, embora o impasse geopolítico continue sem solução definitiva”, ponderou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
No início do dia, o mercado de câmbio repercutia notícias de que Irã e EUA estariam se aproximando de um acordo limitado e temporário para interromper a guerra, com um esboço de estrutura que interromperia os combates.
O plano estaria centrado em um memorando de curto prazo, em vez de um acordo de paz abrangente, com Teerã e Washington reduzindo suas ambições já que as diferenças persistem, principalmente em relação ao programa nuclear do Irã.
Neste cenário, o dólar recuava ante boa parte das demais divisas, incluindo pares do real como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, ainda que as quedas fossem modestas.
No Brasil, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$4,8958 (-0,51%) às 9h53, mas retornou para perto da estabilidade na sequência, ainda que o viés no exterior fosse negativo.
Durante a tarde, as notícias sobre a guerra reduziram a força da moeda norte-americana em todo o mundo.
Reportagem do Wall Street Journal afirmou que o governo dos EUA está buscando retomar o Projeto Freedom — operação que busca guiar navios comerciais pelo Estreito de Ormuz. Neste contexto, a Arábia Saudita e o Kuweit suspenderam restrições de acesso militar dos EUA a bases e espaço aéreo.
O noticiário sobre o Estreito de Ormuz colocou em dúvida a capacidade de Irã e EUA de fato chegarem a um acordo — algo que justificou pela manhã certo otimismo entre os investidores.Em reação, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$4,9324 (+0,23%) às 14h34, para depois voltar a se aproximar da estabilidade.
No Brasil, investidores também monitoraram a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington. De acordo com Trump, o encontro com Lula foi “muito bom” e os dois discutiram comércio e tarifas.
Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,11%, a 98,153.
Destaques do Ibovespa
• AXIA ON caiu 5,95%, mesmo após reportar lucro líquido ajustado de R$3,7 bilhões no primeiro trimestre, com um salto da margem da área de geração impulsionado pela alta de preços de energia no mercado livre. A companhia também iniciou processo sucessório de presidente-executivo. Em teleconferência sobre o balanço, a Axia disse que já vê nas últimas semanas tendência de redução nos preços de energia.
• BRADESCO PN recuou 3,89%, após divulgar balanço com alta de 16% no lucro líquido e avanço do ROE para 15,8%, mas aumento em provisões por casos pontuais no segmento de atacado e maior custo de crédito do massificado. O presidente-executivo disse que o banco está com apetite a risco moderado para crédito, com viés mais conservador, em razão da piora do cenário macro, mas que “isso não significa puxar o freio de mão”.
• ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,37%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,72% e SANTANDER BRASIL UNIT recuou 3,1%.
• PETROBRAS PN perdeu 2,22% e PETROBRAS ON caiu 1,88%, diante de nova queda dos preços do petróleo, com o barril sob o contrato Brent encerrando o dia cotado a US$100,06, em queda de 1,2%. Nas negociações estendidas, as cotações passaram a subir, após notícia de que os EUA estavam considerando reiniciar as operações de escolta de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz já nesta semana.
• REDE D’OR ON fechou negociada em baixa de 6,47%, tendo também o balanço do primeiro trimestre no radar, que mostrou lucro líquido de R$1 bilhão.
• SMARTFIT ON disparou 11,66%, após divulgar lucro líquido recorrente de R$207 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 47% sobre o mesmo período do ano anterior.
• TOTVS ON subiu 9,46%, em meio à análise do balanço dos primeiros três meses do ano, que mostrou lucro líquido ajustado de R$252 milhões, alta de 17% ano a ano.
• MINERVA ON avançou 3,78%, apesar da queda de quase 53% no lucro do primeiro trimestre ano a ano. O Ebitda aumentou 16,2%, para R$1,12 bilhão.
