O Ibovespa fechou em queda de 1,62%, a 192.888,96 pontos, nesta quarta-feira, 22, de olho no noticiário da guerra no Oriente Médio, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogar indefinidamente o cessar-fogo com o Irã. Já o dólar fechou a quarta-feira pós-feriado no Brasil estável, com queda de 0,01%, a R$ 4,9736, o menor valor de fechamento registrado até agora em 2026.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,65%, a 192.888,96 pontos, após marcar 192.687,29 na mínima e 196.132,06 na máxima do dia.

O volume financeiro somou R$26,59 bilhões.

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Ibovespa

Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, há um efeito do ajuste ao movimento dos ADRs brasileiros na véspera, quando a B3 não abriu por feriado, mas Wall Street funcionou normalmente.

“Mas ele sozinho não justifica o movimento”, ponderou, acrescentando que o Ibovespa “esticou bem”, principalmente as bluechips. Mesmo com o ajuste negativo nesta sessão, o Ibovespa ainda acumula alta de 19,71% no ano. Em abril, valoriza-se 2,90%.

“Parece uma correção normal, e possivelmente com algum nível de saída de estrangeiro”, acrescentou Pedroso.

Números da B3 mostram saída líquida de capital externo da bolsa paulista no final da semana passada. Até o dia 15, abril registrava uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. No acumulado até o dia 17, esse saldo passou para R$11,5 bilhões.

Para o analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, a bolsa também refletiu uma reprecificação mais estrutural de risco, com o Brasil descolando do exterior e reagindo a fatores próprios, principalmente juros e percepção fiscal.

“A alta do petróleo, impulsionada pela instabilidade geopolítica, recoloca pressão inflacionária no cenário global e contamina diretamente a curva de juros, o que explica a queda mais intensa em bancos e ativos domésticos”, pontuou.

Lima destacou que as ações da Petrobras acabaram funcionando como amortecedor pontual, refletindo o ciclo da commodity, mas sem força para alterar a direção do índice.

“No fundo, o mercado começa a migrar de um cenário de corte de juros para um ambiente de maior cautela, com inflação mais resiliente, prêmio de risco mais alto e impacto direto sobre o crescimento.”

No cenário geopolítico, as perspectivas de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã continuam cercadas de incertezas. O presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogou na terça-feira indefinidamente o cessar-fogo com o Irã para permitir que os dois países continuem as negociações de paz. Mas manteve o bloqueio ao comércio marítimo iraniano.

O Irã, por sua vez, afirmou nesta quarta-feira que capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. O presidente do Parlamento e importante negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse também que um cessar-fogo completo só faria sentido se não fosse violado por bloqueio norte-americano aos portos iranianos.

O preço do barril do petróleo voltou a ultrapassar US$100.

Dólar


Às 17h04, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,39% na B3, aos R$4,9820. No ano, a divisa passou a acumular queda de 9,39% ante o real.

Trump anunciou a extensão do cessar-fogo pelas redes sociais, embora não estivesse claro se o Irã ou Israel, o aliado dos EUA na guerra, concordariam com a trégua.

Por sua vez, o Irã capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, depois de disparar contra eles e outra embarcação, nas primeiras apreensões iranianas desde o início da guerra.

Segundo o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, um cessar-fogo completo só faria sentido se não fosse violado por bloqueio norte-americano aos portos iranianos.

Neste cenário ainda turbulento no Oriente Médio, o petróleo Brent voltou a superar os US$100 o barril e o dólar sustentava ganhos ante uma cesta de divisas fortes.

No Brasil, após marcar a cotação máxima de R$4,9914 (+0,35%) às 9h16, o dólar à vista atingiu a mínima de R$4,9550 (-0,39%) às 11h03, em mais uma sessão de oscilações em margens estreitas.

“A história sobre se sai ou não um acordo entre EUA e Irã pegou para os dois lados hoje: uma hora o dólar subiu, outra ele caiu, mas sempre em margens estreitas”, comentou à tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, que vê espaço para uma queda adicional das cotações.

“(Caso seja) resolvida essa guerra, a tendência é de dólar um pouco mais para baixo, porque voltará o fluxo externo, a arbitragem”, disse.

Para o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, “o Brasil tem se destacado como destino de alocação em um ambiente geopolítico global incerto e fragmentado”.

“Esse pano de fundo reforça nossa visão de continuidade da tendência de apreciação do real no curto e médio prazos, mas em ritmo mais moderado”, acrescentou em análise escrita.

Pela manhã, o Banco Central do Brasil informou que em virtude do feriado de Tiradentes, na véspera, a divulgação dos dados semanais de fluxo cambial foi adiada desta quarta-feira para quinta-feira, no horário das 14h30.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.

No exterior, às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,26%, a 98,629.