O Ibovespa disparava nesta terça-feira, 27, superando as marcas de 182 mil e 183 mil pontos pela primeira vez, impulsionado pelo clima positivo que tomou os mercados locais após os dados de inflação do IPCA-15 abaixo do esperado, além dos ganhos em blue chips que deram gás ao índice. Já o dólar se firmou em baixa ante o real, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior.

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Às 12h32, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 2,19%, a 182.638,90 pontos, após marcar 183.033,60 pontos na máxima intradia. Já o dólar recuava 1,04% com preço de R$ 5,232 na venda.

Inflação desacelera e otimismo cresce no Ibovespa

Prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,20% em janeiro, contra uma alta de 0,25% em dezembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, a taxa em 12 meses até janeiro foi para uma alta de 4,50%, de 4,41% em dezembro, no limite do teto da meta contínua para a inflação.

“Esse dado surpreendeu positivamente o mercado e aumentou a confiança de que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos mais consistentes sobre os preços. Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento, cresce a expectativa por um corte de juros mais próximo, ou ao menos por um discurso mais brando por parte do Banco Central”, disse em nota o analista da Levante Inside Corp. João Abdouni.

Ainda assim, o mercado segue projetando manutenção da Selic em 15% na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O BC iniciou sua reunião de política monetária nesta terça e divulgará sua decisão na quarta.

Super-quarta

Além do BC, o Federal Reserve também divulga sua decisão de juros nesta quarta. Embora a aposta majoritária também seja de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, a possibilidade do anúncio de um novo chair em breve e as preocupações dos investidores sobre a independência do banco aumentam as expectativas pelo encontro.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, segurando as cotações do dólar em patamares mais baixos.

O câmbio no Brasil pega assim carona nesta tendência mais geral, com o dólar em queda. Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira tem sido apontado como um dos motivos para a baixa do dólar ante o real.

No exterior, as atenções também se voltam para os balanços de empresas norte-americanas, indo de montadoras a companhias aéreas.