O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa paulista, avançava nesta sexta-feira (29), a caminho de registrar ganhos tanto na semana quanto no mês. O indicador pode fechar o mês com alta superior a 6%. O dólar à vista também subia ante o real, na esteira dos ganhos da moeda norte-americana no exterior.

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Às 11h54, o Ibovespa subia 0,49%, negociado a 141.741 pontos. Já o dólar avançava 0,19% com preço de R$ 5,420 na venda.

Ibovespa

O desempenho da bolsa de valores estava ancorado no avanço das ações da Vale, e com Raízen em destaque após a companhia vender duas usinas por R$1,54 bilhão.

O avanço desta sexta, no entanto, é modesto em relação ao movimento da véspera, quando o índice fechou com alta de 1,32%, chegando a ultrapassar os 142 mil pontos pela primeira vez no melhor momento da sessão, renovando topo histórico intradia.

“O dia amanheceu um pouco mais cauteloso, eu diria que até com uma certa ressaca depois do movimento de ontem”, avaliou a analista de renda variável Bruna Sene, da Rico.

Em Wall Street, os principais índices acionários operavam no vermelho, com investidores pesando os dados de inflação nos Estados Unidos, que não devem impedir o Federal Reserve de cortar a taxa de juros no próximo mês.

Os gastos do consumidor dos EUA, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica, aumentaram 0,5% no mês passado, após um ganho revisado para cima de 0,4% em junho.

Já o índice PCE subiu 0,2% no mês passado, após um avanço não revisado de 0,3% em junho. Nos 12 meses até julho, o indicador avançou 2,6%, igualando o resultado de junho.

Dólar

Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a força da dólar nos mercados globais, com avanços frente a moedas fortes e emergentes, no que parecia ser um processo de reajuste depois de dias consecutivos de fraqueza para a divisa de reserva global.

O dólar vem sendo afetado desde a semana passada com o aumento das apostas de que o Fed poderá cortar a taxa de juros no próximo mês diante de um mercado de trabalho em desaceleração, o que torna a moeda menos atrativa para investidores estrangeiros.

O foco nesta sexta-feira estava em torno de novos dados de inflação dos EUA que podem alterar as projeções para o Fed, mas vieram em linha com o esperado. O governo norte-americano informou que o índice PCE teve alta de 0,2% em julho, ante um avanço de 0,3% no mês anterior.

Em 12 meses até julho, o índice — que é o indicador de inflação preferido do Fed — repetiu a alta de 2,6% registrada em junho. Tanto o número da base mensal quanto da base anual eram esperados em pesquisa da Reuters com analistas.

Com isso, operadores continuavam a precificar uma chance alta, a 88%, de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros em setembro, segundo dados da LSEG, com outra redução da mesma magnitude totalmente precificada até dezembro.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 98,060.

No cenário doméstico, as atenções estavam voltadas para a disputa comercial entre Brasil e EUA. Na véspera, o Ministério das Relações Exteriores acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para analisar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica sobre os EUA.

A notificação à Camex, feita depois de autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dá início ao processo que pode levar à adoção de medidas de retaliação aos EUA, depois que o governo do presidente Donald Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

A continuidade do impasse entre os dois países tem sido um fator de preocupação recorrente para o mercado doméstico, que tem se mantido atento a qualquer impacto econômico que a situação possa ter para o Brasil.

Ao longo do dia, as negociações poderão ter maior volatilidade, à medida que se intensifica a disputa pela Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.